Mudança de foco tornou Enem difícil de controlar, diz uma das criadoras do exame

Mesmo ligada ao PSDB, Maria Helena Castro defende manutenção Haddad no cargo de ministro da Educação

Daiene Cardoso, AE

08 Novembro 2010 | 19h00

A ex-secretária executiva do MEC e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) Maria Helena Guimarães de Castro defendeu nesta segunda-feira, 8, mudanças de concepção do modelo e na estrutura de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo a educadora, uma das criadoras do exame em 1998 durante a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a mudança do objetivo do Enem - que passou de avaliação do perfil dos estudantes do ensino médio para seleção de alunos para as universidades e institutos federais a partir de 2009 - tornou a prova vulnerável e cobiçada.

 

"A prova se tornou objeto de desejo muito valioso. É muito mais difícil se ter controle de todas as etapas do processo", comentou a ex-secretária, ao avaliar os problemas enfrentados nos dois últimos anos com o Enem. Embora seja ligada ao PSDB, Maria Helena defende a manutenção do ministro Fernando Haddad no MEC. "Eu até defendo a permanência do ministro Haddad, acho que ele foi um ministro muito bom. Ele fez um excelente trabalho, seria bom que tivesse continuidade", afirmou.

 

Maria Helena acredita que houve uma evolução ao elevar a prova da condição de avaliação para seleção, mas que é preciso repensar o modelo, uma vez que ela atrai cada vez mais estudantes e exige um esforço maior do governo. No passado, por ser uma prova de avaliação para oferecer um perfil dos estudantes às instituições de ensino superior, o exame não exigia uma megaestrutura. "O Enem é praticamente um vestibular, um exame de seleção nacional. Isso torna a dificuldade para garantir o sigilo, as regras de aplicação, muito mais complexos", afirmou. "O problema não é o tamanho do Enem, o problema é a concepção." Neste ano, 4,6 milhões de estudantes se inscreveram para fazer o exame.

 

Ela sugere que a prova seja descentralizada, com provas equivalentes e não iguais mantidas num "banco de provas", calibradas para medir as mesmas competências dos estudantes, nos moldes dos exames que medem a proficiência em idiomas estrangeiros (com várias datas e locais diferentes ao longo do ano). "Não precisa ser todo mundo no mesmo dia, na mesma hora." A ex-secretária defende que os alunos que se sentiram prejudicados refaçam a prova. "Eles devem ter o direito de refazer a prova", disse.

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