MPF no Ceará pede anulação do Enem

Procurador já havia pedido suspensão e acha que vazamento da redação 'escancara' vulnerabilidade do exame

Carmen Pompeu, Especial para o Estadão.edu

10 Novembro 2010 | 16h25

O procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho pediu nesta quarta-feira a anulação do Enem. De acordo com ele, o caso do repórter que mandou o tema da redação para a redação de um jornal, em Pernambuco, "escancara" a vulnerabilidade, a insegurança da aplicação da prova. Ainda segundo o procurador, o repórter pode também ser incriminado.

"Esses fiscais do Enem 2010 não tiveram o menor treinamento para aplicação de uma prova. Foram fiscais escolhidos informalmente. Não tinha sequer nenhum ofício formalizando isso, como é que deveria ser a

escolha desses fiscais. Era um procedimento totalmente improvisado. Era a marca da improvisação. Olha, está tudo errado. Vai dar problema. Eu não posso colocar raposa para tomar conta do galinheiro", critica

Costa Filho.

Ele também diz que o contrato com a gráfica RR Donnelly está sob suspeita. "Os responsáveis têm que pagar pelo que fizeram. Temos que questionar na origem do problema a dispensa de licitação. É um contrato

milionário, como se sabe. A título de quê? Você escolheu sem licitação esse consórcio. Indoneidade técnica me parece que neste momento não pode ser atribuída. Nós estamos defendendo a iligalidade desse contrato", critica.

O procurador acusa ainda a falta de segurança na aplicação do Enem. "O exame foi cercado de segurança na retórica. O Exército só substituiu os Correios naquelas localidades onde os Correios não tinham acesso.

Só não cercaram de cuidado onde se viu por antecipação que ia ter prejuízo, que foi o problema da aplicação", acusa.

Por fim, defende a anulação do exame. "Para mim, a prova tem que ser nula, indepedentemente de qualquer coisa. O que nós temos no momento seguinte à suspensão de prova e depois a anulação como estamos

postulando agora é apurar as responsabilidades. Eu acho que isso tem que ser uma coisa bem criteriosa", argumenta.

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