Marcos Bezerra|Futura Press|Estadão
Marcos Bezerra|Futura Press|Estadão

MPE manda faculdade da USP esvaziar sala do Show Medicina

Evento foi alvo de investigações de CPI em 2014 e acabou impedida de ser realizada dentro da universidade após recomendação

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

08 Março 2016 | 11h52

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) pediu à Faculdade de Medicina de São Paulo (Fmusp) para esvaziar a sala onde estava instalado o Show Medicina na instituição, em visita à unidade na última semana. O evento, uma espécie de teatro com sátiras entre estudantes criado em 1944 e realizado no anfiteatro da faculdade, foi alvo de investigações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2014 e acabou impedido de ser realizada dentro da USP, após recomendação do MPE. 

Conforme mostrou o Estado em fevereiro, o Show Medicina teve espaço para divulgação do evento na Fmusp durante a recepção dos calouros, ainda sem data e local para ocorrer, contrariando a recomendação do órgão. Além disso, uma área do Centro Acadêmico dos alunos era disponibilizada como depósito do Show.

Para o MPE, a utilização do espaço descumpriria acordo firmado com a universidade no ano passado. Além da suspensão do evento dentro da Fmusp, a recomendação  previa a abertura de sindicância administrativa para apurar eventuais abusos que teriam ocorrido no show - ação que a universidade não confirma se fez ou não.

Na semana passada, a faculdade recebeu a visita de duas promotoras de Justiça, Beatriz Helena Budin Fonseca e Silvia Chakian. Elas enviaram um ofício à universidade pedindo explicações sobre o uso do espaço e pediram que a sala fosse esvaziada. De acordo com estudantes, a porta do local precisou ser arrombada para a retirada dos pertences, já que a faculdade não dispunha da chave. "Tinha uma sala que estava sendo ocupada pelo Show e isso não pode. Reforçamos o teor integral da recomendação e foi pedido esclarecimento da diretoria", declarou Silvia ao Estado. 

Denúncia. O Show Medicina foi denunciado por alunos da instituição em 2013, após supostos casos de violação aos direitos humanos e humilhações aos participantes. "Ficou apurado que, para integrar o Show Medicina, os interessados passam por um ritual composto de trotes violentos e humilhantes, com forte assédio moral, sexual, além de violência física e noitadas com prostitutas", escreveram as promotoras Beatriz Fonseca e Silvia Chakian de Toledo Santos, responsáveis pelo inquérito civil.

Ainda segundo o inquérito, "a permissão de uso foi concedida sem qualquer apuração dos fatos constatados no relatório da Assembleia Legislativa e sem a garantia da efetiva modificação da cultura de violência praticada pelo grupo, consistente na prática de violência física, moral e sexual, bem como na imposição da submissão e humilhação àqueles que pretendem integrar a associação", diz o texto da recomendação.

"Tradicionalmente, somente os homens podem participar da atividade (processo criativo e apresentação), reservando-se às mulheres a costura dos figurinos, em espaço segregado. Os homens não podem participar da costura e as mulheres estão impedidas de participar do evento", diz o texto.

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