MP cobra governo de SP sobre livro didático com palavrões

Promotora da Infância e Juventude abre procedimento; 1.216 exemplares já foram recolhidos das escolas

Simone Iwasso e Fábio Mazzitelli, de O Estado de S. Paulo,

20 Maio 2009 | 12h39

A promotora da Infância e da Juventude da capital, Carmem Lúcia Cornacchioni, abriu procedimento para cobrar explicações da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo sobre a aquisição de livro de quadrinhos com palavrões, conteúdo sexual e referências ao crime organizado. O Ministério Público (MP)aguardará os esclarecimentos do governo.

 

A secretaria mandou recolher na quinta-feira, 14, 1.216 exemplares do livro Dez na Área, um na Banheira e Ninguém no Gol, uma sátira do futebol com palavrões, frases de duplo sentido, expressões sexuais e até referências ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A obra foi distribuída para alunos da 3ª série do ensino fundamental, de cerca de 9 anos.

 

O governador José Serra (PSDB) classificou o erro da pasta como "um horror" e mandou abrir sindicância para apurar as responsabilidades pela seleção do livro.

 

Para Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, sindicato que representa os professores da rede estadual, a escolha inadequada de um livro na sala de aula compromete o processo pedagógico. "Reafirmar a sigla de uma facção num material de escola é quase injetar na cabeça de um aluno em processo de formação. Ele pode achar que isso é legal. Só tenho a lamentar esse erro", diz.

 

 

Segundo nota divulgada na terça-feira pela secretaria, "a escolha do livro foi um erro, pois o material é inadequado para alunos dessa idade". A pasta afirmou que "assim que a falha foi constatada, foi determinado o recolhimento imediato dos exemplares, que já tinham chegado a algumas escolas, porém não foram entregues às crianças".

 

Em entrevista à Rádio CBN, o quadrinista Caco Galhardo, autor de um dos quadrinhos que mistura futebol a expressões sexuais, disse que a história "é uma tiração de sarro de uma mesa-redonda que é uma baixaria sem fim. Uma coisa que só tem palavrão. Nunca uma história dessas deveria ir para a escola".

 

Em março, a secretaria precisou enviar uma correção para todos os livros de geografia usados na 6ª série do fundamental. O material trazia dois Paraguais e excluía o Equador de um mapa da América do Sul.

 

 

Atualizada às 16h45 para correção de informação sobre a data do recolhimento.

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