MP abre apuração sobre procurador que ameaçou prender estudante

Corregedoria tem 90 dias para concluir procedimento; professor do Mackenzie ganha apoio de colegas no Facebook

Estadão.edu

31 Agosto 2011 | 17h19

A Corregedoria do Ministério Público Estadual instaurou nesta quinta-feira um procedimento que irá apurar o caso do procurador de Justiça e professor de Direito do Mackenzie Paulo Marco Ferreira Lima, que ameaçou dar voz de prisão a uma aluna da universidade na última sexta-feira. O prazo para apuração é de 90 dias. A direção da universidade ainda não divulgou nota sobre o assunto.

O procedimento será presidido pelo corregedor geral do MP, Nelson Gonzaga de Oliveira, e acompanhado por três procuradores de Justiça que serão indicados pelo orgão especial do colégio de procuradores.

Durante toda o dia, colegas de Paulo Marco no MP escreveram palavras de apoio em sua página do Facebook. "Quero colocar publicamente que você é uma pessoa honrada e dentro e fora do Ministério Público, sempre admirada e respeitada pela sua trajetória pessoal e profissional", afirmou o promotor de Justiça José Carlos Blat.

 

Já o promotor Jorge Marum afirmou que "a justiça vai prevalecer no final e, como diz aquela música do George Harrison, 'All things must pass'".

"É necessário manter-se firme. A verdade sempre vem à tona. Conte com o meu apoio incondicional", anotou o promotor de Justiça Roberto Livianu. Advogado notório na área ambiental, Antonio Fernando Pinheiro Pedro também passou pela página da rede social para deixar seu apoio, assim como os promotores Luís Paulo Sirvinskas e Vidal Serrano Jr.

 

Sirvinskas chegou a lembrar de dificuldades que teve em sua atividade de docente: "Não é fácil ser professor. Nem sempre compactuamos com posições contrárias a interesses pessoais de alunos. Isso causa conflito. Tudo deve ser analisado e solucionado com calma e a luz do direito. Conheço o Paulo e, pelo seu temperamento, jamais ofenderia alguém. Vamos em frente. É chato, mas não devemos desanimar com esses percalços. O orgulho e o egoísmo são o verso e o reverso dos males que afligem o mundo. Um forte abraço. Você tem meu apoio".

 

PARA LEMBRAR

Na última sexta-feira, o professor de Direito do Mackenzie e procurador de Justiça Paulo Marco Ferreira Lima foi abordado por uma aluna do 5º semestre do curso. Ela discordava de sua metodologia de ensino. Ele teria proibido a moça de entrar na sala de aula, chamou os seguranças e ameaçou dar voz de prisão. De acordo com o procurador, a aluna estava descontrolada e poderia atacá-lo até fisicamente.

O Centro Acadêmico do curso de Direito da universidade divulgou nota de repúdio em relação à atitude do professor. Na terça-feira, o irmão do docente, o também professor do Mackenzie Marco Antônio Ferreira Lima, acusou a aluna, que não quer se identificar por temer represálias, de ter chamado seu irmão de "negro sujo" e que "preto não pode dar aula no Mackenzie".

 

 

Atualizada às 18h15.

 

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