Adriano Machado/Reuters
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Mourão defende que mais ricos paguem mensalidade em universidades federais

Em defesa da alternativa, o Mourão afirmou que “eu não tenho dado numérico, mas ouso arriscar que uns 60% dos que frequentam universidade federal têm condições de pagar”

Pedro Caramuru, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 16h17

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou ser “um paradoxo” no Brasil o atendimento educacional nas universidades federais a “gente que poderia pagar os seus custos [e está] recebendo um ensino de graça, posteriormente não devolvendo nada para o País”.

O vice-presidente foi questionado sobre como o governo faria para aumentar o número de jovens no ensino superior, principalmente levando em conta que grande parte da população não poderia pagar pelo ensino. Usando como exemplo sua própria filha formada em Direito em uma universidade pública, Mourão respondeu “que é termos dentro da universidade federal gente que poderia pagar os seus custos, né. Simplesmente é formada e passa única e exclusivamente a lidar com a sua vida privada”.

“Ouso arriscar que uns 60% que frequentam universidade federal têm condições de pagar”, afirmou o vice-presidente. “Um pagamento que eles fizessem serviria para que mais alunos ingressassem no setor privado e, consequentemente, para que aumentássemos o percentual de jovens com ensino superior”, disse Mourão.

O vice-presidente defendeu que o pagamento pelo ensino público nas universidades federais poderia gerar recursos para financiar programas de permanência em instituições privadas. “É algo que nós temos que pensar hoje seriamente e sem preconceitos porque [pagamento a universidades federais] poderia ser um recurso canalizado para aqueles jovens que precisam de financiamento pagarem uma universidade privada”, disse. “Seria uma compensação muito justa”, completou.

Mourão participou na manhã desta quarta-feira, 26, de aula magna a alunos do grupo Ser Educacional.

Procurado, o Planalto não quis comentar a declaração dada pelo vice-presidente. O Ministério da Educação (MEC) também foi procurado pelo Estadão, mas não se manifestou.  

MEC deve cortar R$ 1 bilhão de universidades em 2021

O Ministério da Educação (MEC) poderá ter redução de 18,2% no orçamento para despesas discricionárias (não obrigatórias) no ano que vem. O porcentual representa aproximadamente R$ 4,2 bilhões a menos para a pasta. O corte afetará as universidades federais, que devem perder R$ 1 bilhão. As instituições de ensino veem situação "insustentável" e a impossibilidade de cumprir suas atividades no ano que vem.

A previsão de queda no orçamento ocorre em um momento em que as instituições de ensino superior estão fechadas para conter a disseminação do novo coronavírus e enfrentam dificuldades para manter as aulas a distância e a permanência de estudantes de baixa renda.  

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