Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Motoristas de vans escolares de São Paulo fazem protesto

Desde o início do ano letivo, profissionais fazem atos contra a nova forma de credenciamento e pagamento adotada pela Prefeitura

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 09h26

SÃO PAULO - Os motoristas de vans do Transporte Escolar Gratuito (TEG) paulistano fazem nesta terça-feira, 5,  uma paralisação contra mudanças no modelo de pagamento e credenciamento, proposto pela gestão Fernando Haddad (PT), no programa “Vai e Volta”, que transporta crianças com mobilidade reduzida. 

Desde o início do ano letivo, eles reclamam do novo contrato, que remunera por criança transportada e não mais por valor fixo, considerando os custos do serviço. Cerca de 75 mil alunos utilizam o serviço no município.

Desde as 6 horas, eles se reúnem em diversos pontos da capital. Um grupo se reuniu em frente ao Shopping Interlagos, na zona sul, e outro, na Marginal do Pinheiros, em frente à Estação Granja Julieta, também na zona sul. Eles seguem para a Secretaria Municipal de Educação, na Vila Mariana. 

Jorge Salgado é um dos motoristas que aderiu à paralisação. Segundo ele, os motoristas desde o início do ano estão acumulando prejuízos com a nova forma de pagamento da prefeitura - são pagos R$ 155,19 por assento ocupado e R$ 775,95 para crianças que usam cadeiras de roda.

Segundo Salgado, a maioria dos carros que presta o serviço não é utilizada em sua máxima capacidade e, por isso, não consegue arcar com as despesas de manutenção do veículo, combustível e pagamento de um monitor para cuidar das crianças durante o transporte. "Nosso custo independe do número de crianças que levamos, ele é fixo. Por isso, o pagamento deveria ser fixo, como sempre foi", disse. 

Ester Maria Teixeira, de 36 anos, disse que com a nova forma de pagamento está com todas as contas atrasadas. "No ano passado, recebíamos R$ 7,5 mil por mês. Agora, estou recebendo R$ 5,5 mil, não cobre nem as despesas do carro. Não tenho dinheiro para pôr gasolina, nós queremos prestar o serviço, mas não temos a mínima condição de fazê-lo", disse. 

Ela trabalha há cinco anos como motorista do programa em Pirituba, na zona norte. "São as mesmas crianças que levo durante todo esse tempo. Tenho uma responsabilidade muito grande com eles, nós só estamos paralisando porque não estamos conseguindo fazer o transporte com o que estão nos pagando", disse a motorista. 

Mudança. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o programa está em fase de transição do modelo de contratação emergencial, que vigorou por 10 anos, para um modelo de credenciamento, que vai permitir a contratação por 12 meses, prorrógavel por mais quatro anos. "As novas regras trazem respaldo jurídico aos condutores – que antes trabalhavam por meio de contratos emergenciais - têm aprovação do Tribunal de Contas do Município e dialoga com o desejo da atual administração da Cidade de São Paulo por prestar serviços públicos com mais e melhor qualidade", disse. 

A Prefeitura disse que mantém diálogo com a categoria e informou que em maio, data-base dos motoristas, eles terão os valores do serviço reajustado com base na inflação. Os valores pagos por criança transportada, segundo a Prefeitura, foram definidos com base em uma pesquisa de mercado. 

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