Morre o historiador que descobriu Zumbi

O historiador Décio Freitas morreu nesta terça-feira, em Porto Alegre, aos 82 anos, de enfisema pulmonar. Freitas comprovou a existência do herói Zumbi no livro Palmares - A Guerra dos Escravos, escrita no Uruguai com subsídios recolhidos de duas viagens clandestinas ao Brasil e publicado em 1971. A obra fez o Brasil rediscutir o legado da escravidão.O Movimento Negro do Rio Grande do Sul o classificava como "o pai da nossa história". O autor voltaria ao tema em Insurreições Escravas (1975), Escravos e Senhores de Escravos (1977), O Escravismo Brasileiro (1980) e Escravidão de Índios e Negros no Brasil (1980).Rebelião sem precedentesSobre sua obra de maior repercussão, Freitas disse ao jornal Zero Hora, em julho de 2002, que buscava a mais remota revolta popular do Brasil e foi parar nos altos das Alagoas, num lugar chamado Palmares, no século 17. "Acabei descobrindo que tinha sido a maior rebelião de escravos das Américas. Nunca houve uma rebelião de escravos com aquela magnitude, pelo número de pessoas que envolveu, pela duração e pelas conseqüências que produziu no regime colonial. Me apaixonei pelo assunto e me dediquei à pesquisa daquilo", contou.Freitas também escreveu Cabanos - Os Guerrilheiros do Imperador (1978), O Socialismo Missioneiro (1982) e O Homem que Inventou a Ditadura no Brasil (1998), entre diversos outros títulos.MontevidéuNatural de Encantado, Freitas era formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e aproximou-se do jornalismo quando trabalhava como tradutor na editora Globo e já militava no Partido Comunista Brasileiro. Nos anos 60 foi nomeado procurador-geral da Fundação Brasil Central pelo então presidente João Goulart.Depois do golpe militar foi viver em Montevidéu, onde ficou até 1972. Voltou graduado também em História para vasculhar o passado do Brasil. De 1982 a 1985 foi presidente do Comitê Nacional da Anistia. Nos últimos anos, além dos livros, publicava artigos periodicamente no jornal Zero Hora.

Agencia Estado,

10 de março de 2004 | 13h36

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