Claudio Versiani/Estadão
Claudio Versiani/Estadão

Morre historiadora Emília Viotti, estudiosa da escravidão

Perseguida pela ditadura militar, acadêmica construiu carreira em Yale, nos Estados Unidos

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2017 | 18h41

SÃO PAULO - Morreu às 7h40 desta quinta, 2, a historiadora Emília Viotti da Costa. Ela tinha 89 anos e, segundo informações de famíliares, teve falência múltipla dos órgãos. Seu corpo será velado a partir das 9h desta sexta no Velório São Pedro, de onde seguirá para uma cerimônia no Cemitério da Vila Alpina, onde ela será cremada.

Emília graduou-se em História na Universidade de São Paulo (USP) em 1954. Especializou-se em História na França - onde estudou na Ecole Pratique des Hautes Études, quinta seção da Sorbonne. Doutorou-se em 1964, com tese de livre-docência na USP.

Entre 1964 e 1969, lecionou na USP. Sua carreira no Brasil acabou interrompida forçosamente por conta da ditadura militar. O Ato Institucional número 5, conhecido como AI-5, a aposentou compulsoriamente da universidade - assim como ocorreu com diversos outros intelectuais acadêmicos que manifestaram oposição ao regime que governava o País. 

Emília foi acolhida pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, onde fez carreira como professora de História da Amélica Latina entre 1973 e 1999. Lá, dirigiu o Porgrama de Estudos da Mulher e do Conselho de Estudos Latino-Americanos. Também pesquisou e lecionou nas universidades de Tulane, em Nova Orleans, e Illinois. 

Escravidão. A professora acabou publicando diversos livros e estudos sobre o tema da escravidão negra no Brasil e em outros países americanos. "A sua produção científica é referência obrigatória para muitas gerações de historiadores e tem obras centrais na historiografia brasileira, principalmente com a temática da escravidão", conforme atesta sua sinopse biográfica escrita pelo historiador Luiz Ricardo Costa Ribeiro e publicada pelo projeto Memória CNPq, do site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. 

Em 'Da Senzala à Colônia', a historiadora se deteve sobre a transição entre o trabalho escravo e o livre na região produtora de café no Estado de São Paulo. Ela também publicou 'Da Monarquia à República, momentos decisivos', 'Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue, Rebelião de escravos em Demerara em 1823', 'A Abolição', 'As Revoluções Africanas', 'O Supremo Tribunal Federal e a constituição da cidadania', 'Brazilian Empire: Myths and Histories', entre outros trabalhos.

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