Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

70 suspeitos de fraude do Enem não aparecem para 2ª aplicação da prova

Ministro da Educação afirma que eles podem ter desistido de operar porque ficaram com receito das prisões que aconteceram na primeira edição do exame 

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2016 | 11h55

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que a Polícia Federal (PF) monitorou 70 suspeitos de fraude que fariam a segunda aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016, que ocorreu no último final de semana. As provas foram direcionadas aos inscritos que não puderam fazer o Enem no início do mês de novembro, em razão de ocupações em escolas e contingências. Nenhum dos investigados, contudo, teria comparecido aos locais de avaliação nesse sábado, 3, e domingo, 4.

Para Mendonça Filho, os suspeitos podem ter desistido de operar porque ficaram com receio das prisões que aconteceram na primeira aplicação do Enem, quando pelo menos duas pessoas foram detidas. "A gente tinha 70 pessoas hoje (domingo), fazendo a prova do Enem que estavam sob suspeita. Eu não posso falar quais, mas elas nem sequer compareceram às provas, porque ficaram com medo do que ocorreu no primeiro Enem, onde alguns foram presos em flagrante enquanto tentavam fraudar o Enem", avaliou Mendonça.

Na semana passada, a PF finalizou um relatório que aponta que houve vazamento das provas da primeira aplicação do Enem 2016.

No inquérito, os investigadores afirmam que as provas e a redação de novembro vazaram antes do início da aplicação para, pelo menos, dois candidatos. Apesar do vazamento ter sido confirmado, Mendonça reafirmou que o exame não será anulado. O ministro alegou que a medida não seria necessária porque o vazamento foi algo "localizado" e não compromete a "lisura" do processo. 

"A rigor foi algo localizado, foi detectado com base em um processo de investigação com base na atuação da Polícia Federal e dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Se o Inep não tivesse a atuação que teve, com um mapa de possíveis suspeitos e toda uma estratégia, evidentemente que os resultados no que diz respeito ao combate à fraude, ou tentativa de fraude, talvez não fossem do conhecimento público", defendeu Mendonça. 

O MEC considera que não há indício de vazamento do gabarito oficial nem de envolvimento de servidores públicos no Enem 2016. Neste domingo, a Polícia Federal informou que não houve prisões durante a segunda aplicação da prova. O Inep registrou abstenção de 39,7% no primeiro dia e 41,4% no segundo. Dos cerca de 277.657 inscritos na segunda aplicação, 72.223 faltaram. Do total de participantes, 11 foram eliminados por descumprimento de regras gerais.

O combate ao racismo foi o tema da Redação desta segunda aplicação. O gabarito da avaliação será divulgado nesta quarta, 7.

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