Modelo de expansão do ensino superior dá sinais de limite

Os dados do Censo da Educação Superior 2013 mostram uma redução no ritmo de expansão do ensino superior brasileiro. A diminuição no processo de ampliação das matrículas pode ser observada em ambos os setores: público e privado.

Bruno Morche*, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 22h57

Cabe salientar que a expansão do ensino superior observada nas últimas décadas ocorreu majoritariamente no setor privado. Enquanto em 1995 a proporção de matrículas em instituições privadas era por volta 60% e 40% nas públicas, os dados do censo de 2013 mostram que hoje aproximadamente 74% das matrículas estão naquele setor. O que se observa, quando analisamos os dados do censo, é que apesar da expansão a porcentagem de jovens de 18 a 24 anos nesse nível de ensino ainda é de apenas 15,10%, taxa ainda muito inferior a de outros países.

Estudos comparados que venho desenvolvendo entre o ensino superior brasileiro e o de outros países emergentes sugerem que este modelo de expansão brasileiro, baseado em um pequeno número de instituições públicas totalmente gratuitas e um grande setor privado, possivelmente encontraria limites no início desta década.

Dentre alguns motivos destaco: (1) no que diz respeito ao setor público, encontra limites de financiamento do governo para uma expansão quantitativa significativa dado seu elevado custo por aluno - de acordo com dados da OCDE de 2010 o custo por aluno em uma universidade pública brasileira chega a mais de 13 mil dólares -; (2) em relação ao setor privado, os limites residem na diminuição da demanda dado o número alto de vagas que já foi oferecido e o limite da capacidade econômica da população em continuar provendo recursos que permita a expansão desse setor; (3) por fim, o problema recorrente das baixas taxas de acesso e conclusão do ensino médio que passam a representar um funil no acesso ao ensino superior: o número de concluintes do EM em 2012 foi de 1.877.960, pouco acima dos 1.855.419 formados nesse nível de ensino 10 anos antes, em 2002.

Não apenas a expansão das matrículas reduziu seu passo, como o número de ingressantes e concluintes também diminuiu. Apesar da queda no ritmo da expansão, cabe chamar a atenção para o forte aumento das matrículas nos cursos na modalidade a distância e dos tecnológicos.

* É PESQUISADOR DA ÁREA DE ENSINO SUPERIOR NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

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