Ministro quer mais democracia na universidade

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, defendeu nesta sexta-feira uma série de medidas para ampliar a participação dos alunos no controle das universidades federais. Entre as providências possíveis para assegurar a democratização das instituições, ele citou o fim das listas tríplices para escolha de reitores.?O nome apontado na eleição com professores, funcionários e alunos tem de ser respeitado, seja ele de quem for?, afirmou. O ministro também defendeu a maior atuação dos estudantes na fiscalização da aplicação dos recursos das universidades.?É preciso que as instituições tenham autonomia para aplicação dos recursos, observando sempre que não se pode gastar mais do que se ganha?, afirmou, durante encontro na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Ele salientou, porém, que a democratização tem de partir de iniciativa das próprias unidades e da atuação dos alunos.Durante sua primeira visita como ministro, Buarque afirmou que o programa para combater o analfabetismo deverá começar rapidamente. A meta é concluí-lo em 40 meses. O ministro ainda não tem definidos os contornos da Secretaria de Alfabetização, que em breve deverá ser criada. Ele disse não saber, ainda, se ela irá tratar apenas da alfabetização básica ou também da educação de jovens e adultos.FundoTambém estão em estudos os mecanismos para a aplicação de uma proposta de campanha: a criação de um fundo de amparo ao ensino básico, o Fundeb. Esse fundo substituiria o atual Fundef, que contempla o ensino fundamental. O primeiro passo foi dado com a nomeação de Zezé Ferrez para a Secretaria de Ensino Fundamental.Temporariamente, ela vai acumular a gerência da Secretaria de Ensino Médio. A intenção, disse, é fundir as duas secretarias, formando uma administração única do ensino básico. O ensino profissionalizante ficaria em outra área da administração. Para isso, Buarque afirma ter de encontrar mecanismos para não aumentar o número de funcionários. O mesmo desafio que enfrenta na criação da secretaria de Alfabetização.A escolha da Confederação Nacional dos Trabalhadores para sua primeira visita oficial teve valor simbólico. Dizendo estar representando 20 milhões de analfabetos, crianças e jovens descontentes com o ensino, Buarque pediu empenho dos profissionais da educação em suas atividades. ?Sabemos do abandono da área pelos governantes, mas sabemos também que algumas vezes certos profissionais transformam a ação educacional em um simples emprego, que desempenham sem a menor motivação.?Os recados não pararam aí. O ministro pediu o fim da resistência para sistemas de avaliação de desempenho profissional. ?As incorreções não podem ser encobertas.? Por outro lado, o ministro sugeriu aos trabalhadores que contenham suas expectativas. ?Não se animem porque a situação econômica não é nada azul. Não há verba excedente em caixa.?Ele deixou claro que irá trabalhar dentro dos limites de recursos. ?Estou do lado de vocês, mas sou sócio do patrão.? Buarque anunciou ainda a organização de um Fórum Nacional de Educação no segundo semestre deste ano. Os próximos 100 dias serão destinados para organizar esse encontro, que, segundo o ministro, é uma antiga reivindicação de alunos, funcionários e professores.

Agencia Estado,

03 de janeiro de 2003 | 21h04

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