NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Ministro pede 'diálogo' em impasse sobre ocupações de escolas

Mercadante disse que não cabe ao MEC opinar sobre formas de protesto: 'o que defendemos é a liberdade de manifestação'

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

02 Maio 2016 | 17h51

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, demonstrou preocupação com a nova onda de ocupações em escolas públicas em São Paulo, no Rio e no Ceará. "Não cabe ao MEC ter opinião sobre as formas de manifestação. O que defendemos é a liberdade de manifestação", afirmou ele, em entrevista coletiva ocorrida na tarde desta segunda, 2, na reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde apresentou dados do programa Hora do Enem. 

Ele frisou que em todos os conflitos, o diálogo é necessário. "No ano passado, quando muitas escolas paulistas estavam ocupadas, liguei para o então secretário pedindo isso. Uma reforma como a proposta por ele, interferindo tanto na vida de milhares de pessoas, teria uma reação forte. E sem diálogo na Educação, não vai", afirmou. "As redes têm suas dificuldades. Mas todo conflito deve ser resolvido com diálogo." Mercadante considera que, na Educação, medidas "de cima para baixo" sempre geram situações de conflito.

"É evidente que gostaríamos que as aulas sempre fossem constantes, sem interrupções por greves ou ocupações. Mas as manifestações são legítimas e devem ser tratadas com tolerância", ressaltou. 

O ministro disse serem muito graves os casos de corrupção na merenda escolar. Ele afirmou que uma grupo de trabalho foi formado entre o Ministério da Educação (MEC), a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, para investigar todos os indícios do gênero no País. "Será tolerância zero", disse. "Não podemos admitir que a corrupção tire merenda da boca das crianças."

Ele ainda se disse muito preocupado com ações extrajudiciais que têm ameaçado com processos professores que abordam questões de identidade de gênero nas escolas. "O professor precisa tratar os temas com pluralidade", disse. "O que eles querem? Que expulsemos das escolas todos aqueles que são órfãos, criados por parentes, criados apenas por um pai ou uma mãe, ou filhos de casais homoafetivos?"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.