Ministro estuda sistema unificado da educação

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, afirmou nesta segunda-feira que está em estudo o desenvolvimento de um sistema único da educação, a exemplo do que já ocorre na saúde e na segurança pública. Essa nova forma de organização, afirmou o ministro, teria a participação tanto de União, Estados, municípios, quanto de sindicatos e entidades não-governamentais.O objetivo seria criar uma mobilização de vários setores para reverter problemas hoje enfrentados na educação. Um dos mais recentes indicadores da deficiência no setor acaba de ser divulgado: o alto índice de repetência entre alunos. Em 2002, um em cada cinco estudantes do ensino médio cursava a mesma série feita no ano anterior, revela levantamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Uma taxa superior a que havia sido registrada em 2000, que era de 18,6%.Baixa qualidade"Este é um dos principais indicadores da baixa qualidade do ensino brasileiro", avalia o representante da Organização das nações Unidas para Educação, Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Jorge Werthein. Embora apresente uma queda entre 2000 e 2001, as taxas de repetência no ensino fundamental também estão longe de ser um motivo de comemoração: 20%.Para Werthein, o investimento na capacitação continuada de professores é a única forma de combater o problema. "O mecanismo mais eficaz para enfrentar uma educação de baixa qualidade é investir na qualidade dos profissionais",disse.Com a medida, é possível combater tanto os altos índices de repetência quanto outro problema grave enfrentado no País: o grande número de alunos que são aprovados, sem apresentar um rendimento escolar adequado. "Sabemos que 59% dos alunos da 4.º ano do ensino fundamental não sabem ler eescrever", lembra.Resultado catastróficoO secretário de ensino médio e educacação tecnológica, Antonio Ibañez, teve a mesma reação diante dos números do Inep: "O resultado é catastrófico", afirmou.Ele atribuiu o alto índice de repetência à carência de uma política voltada para o ensino médio. "Não tem livro didático, não tem merenda, faltam professores", disse. Para Ibañez, os números de hoje refletem uma dívida histórica nesta área, acumulada ao longo dos últimos 20 anos.Déficit de professoresEm sua análise, não poupou o governo anterior. Além de a administração passada não haver diagnosticado o problema, disse, não foram feitos esforços para reduzir o défict de professores. "Em 11 anos, foram formados 7.700professores de Física. Sabemos que o défict nesta área é de 30 mil profissionais."Ibañez afirmou que o governo pretende adotar algumas medidas para combater o problema, entre elas incentivar a licenciatura para professores, enfatizar o sistema de educação à distância. Além disso, o ministério pretende criar um atendimento diferenciado para estudantes que deveriam cursar o ensino médio, mas que apresentam atraso escolar.A idéia, segundo ele, é criar para jovensque ultrapassam 20 anos cursos com atrativos adicionais, como formação profissional e capacitação para o trabalho.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2003 | 19h51

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