Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Weintraub erra previsão: Brasil não é último do Pisa na América Latina; veja mais destaques

País, porém, ainda está longe das primeiras posições do ranking: ocupa o 54º lugar em Leitura, principal área avaliada pelo exame internacional nesta edição

Renata Cafardo e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Apesar de o ministro da educação, Abraham Weintraub, ter dito em novembro que o Brasil ficaria em último lugar da América Latina no Pisa, maior avaliação da educação básica do mundo, outros cinco países da região tiveram nota pior no ranking principal desta edição, o de Leitura. 

Veja mais destaques sobre o Brasil nesta edição do exame, aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede conhecimentos em Leitura, Matemática e Ciência entre jovens de 15 anos:

  • Brasil está em 54º lugar em Leitura, principal área avaliada nesta edição, entre 79 países participantes.
  • Quatro em cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não conseguem identificar a ideia principal de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros, entender um experimento científico simples.
  • Em Matemática, tiveram pior desempenho que os brasileiros na América Latina os estudantes da Argentina, do Panamá e da República Dominicana, entre outros não latinos. Em Ciência, foram só dois latinos: Panamá e a República Dominicana, a última do ranking mundial.
  • Pela 1ª vez, o Pisa separou os resultados do Brasil pelas regiões do País. A diferença de pontuação chegou a até 43 pontos, tendo o Sul como o de mais alto desempenho nas três disciplinas.
  • Em Leitura, a Região Sul teve uma nota de 432 pontos, resultado que se assemelha ao de países como Malta e Sérvia. Já o Nordeste apresentou o menor desempenho, com 389 pontos em Leitura, nota similar a do Azerbaijão e Cazaquistão. 
  • A Região Centro-Oeste teve o segundo melhor desempenho, seguido pelo Sudeste. A região Norte ficou à frente só do Nordeste. O aumento do número de jovens que fizeram a prova, conforme a OCDE, permitiu ter amostra suficientemente relevante para calcular o resultado de cada região separadamente.
  • As meninas brasileiras tiveram pontuação melhor que os meninos em Leitura, com 26 pontos a mais. Os garotos, no entanto, tiveram melhor desempenho em Matemática, com 9 pontos acima. Em ciências, não há diferença significativa entre eles.
  • Entre os alunos com mais alta proficiência em Matemática e Ciências, um em cada três meninos quer trabalhar na área de Engenharia e uma em cada quatro meninas que trabalhar na área da Saúde.
  • 41% dos jovens brasileiros dizem que os professores têm de esperar "um longo tempo" para que os alunos se acalmem antes de iniciar a aula.
  • Metade dos jovens brasileiros já matou um dia de aula e 44% dizem já terem se atrasado para a escola nas duas semanas antes do teste do Pisa.

Veja destaques internacionais:

  • A China, representada pelas províncias de Pequim, Shangai, Jiangsu e Zhejiang, ficou no topo dos rankings mundiais das três áreas (Leitura, Matemática e Ciências)
  • A Argentina é país é o pior da América do Sul no ranking de Matemática e, no mesmo grupo, ocupa a penúltima posição em Leitura e em Ciências.
  • Os Estados Unidos estão com o desempenho dos estudantes nas três áreas avaliadas (Leitura, Matemática e Ciência) praticamente estagnado desde 2000. O país, porém, tem aumentado as diferenças entre seus estudantes, com os jovens de mais alto desempenho ampliando sua pontuação, enquanto os demais permanecem no mesmo patamar. 
  • Portugal ficou próximo da média da OCDE nas três áreas avaliadas, mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos. No entanto, o país europeu acentuou as desigualdades na última edição Com o aumento da diferença entre alunos pobres e ricos e com menor desempenho entre imigrantes. 
  • A Estônia se mantém como o melhor avaliado da Europa. No ranking global, ocupa a 4ª posição em Ciências, 5ª em Leitura e 8ª em Matemática. A diferença entre alunos pobres e ricos é de 61 pontos, 28 a menos que a média da OCDE. A desigualdade de gênero também não preocupa. Na Estônia, a proporção de meninos que quer seguir na carreira na área de Engenharia é de um em cada seis. Entre as meninas, a proporção é de uma em cada sete.

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