TABA BENEDICTO/ESTADÃO
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Ministro entrega ônibus escolares comprados na gestão anterior e diz fazer 'muito com pouco'

Em evento com presença de prefeitos e deputados, Abraham Weintraub disse que nova gestão está fazendo 'faxina' no MEC e 'acertando o rumo' da educação

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 15h33

SÃO PAULO - Em um grande evento com a presença de prefeitos, deputados estaduais e federais, o ministro Abraham Weintraub entregou nesta segunda-feira, 7, 180 ônibus escolares para 144 municípios paulistas. Os veículos, no entanto, foram comprados no ano passado, ainda na gestão Temer, em uma licitação para mais de 2 mil unidades. 

Os ônibus, que foram adquiridos para serem entregues a cidades de todos os Estados do País, foram comprados em uma licitação única, assinada pelo então ministro Rossieli Soares - hoje secretário estadual de educação de São Paulo, que acompanhou o evento.  Não foi a primeira vez que o ministro fez uma cerimônia para entregar os veículos, em julho, ele foi à Santa Catarina para entregar 116 unidades.

A compra dos ônibus é feita pelo programa Caminho da Escola, criado em 2007 na gestão Lula e que já entregou 47 mil veículos escolares ao longo dos anos. 

Com uma plateia de cerca de 100 pessoas, o ministro fez um discurso no qual criticou governos petistas e disse que a nova gestão federal está "fazendo uma faxina" no Ministério da Educação e mostrando que é possível fazer "muito com pouco dinheiro". 

"Esses ônibus não são do governo federal ou dos municípios. Vieram do povo, do dinheiro suado do povo. A gente está mostrando que com pouco dinheiro ainda se faz muito nesse País", disse. 

As unidades entregues nesta segunda-feira são ainda insuficientes para atender a demanda por transporte escolar no Estado de São Paulo, que apenas na rede estadual de ensino tem mais de 3,8 milhões de alunos. A Secretaria de Educação paulista abriu uma licitação para comprar outros 135 veículos neste ano.

A licitação e o empenho do recurso foram feitos em novembro do ano passado, quando o MEC era comandado por Rossieli Soares. "A economia com essa licitação foi de mais de 23% do valor original porque fizemos a compra em larga escala. Espero que a gente continue nesse caminho, brigando por mais recurso para a educação e pela eficiência", disse. 

Ao lado de Rossieli durante a cerimônia, Weintraub afirmou que sua equipe tem encontrado "muita coisa errada e desperdício" no MEC, "mesmo depois de vocês terem feito uma faxina inicial”.

Mais uma vez com um discurso inflamado, Weintraub disse que em sua gestão o dinheiro público volta para os contribuintes e não para "safado comprar triplex", disse que não se deve mais "falar em educação pública, mas ensino. Quem dá educação é a família". Também afirmou que há "grupos empresariais muito piores" que se aproveitavam do "rumo errado para o qual o País caminhava". 

O tom agressivo de sua fala tem agradado os mais próximos do presidente Jair Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro, inclusive, aproveitou os dois minutos de fala que teve durante o evento para recomendar aos presentes que sigam o ministro no Twitter - onde é conhecido por frases polêmicas e por fazer piadas contra o PT.  "Ele inaugurou um novo estilo de ministro, que não se preocupa tanto com os modos e liturgia do cargo. E, sim, com resultados", disse. 

Também estava presente no evento o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). O governador João Doria (PSDB), que não foi ao evento, tem tentado se distanciar do governo Bolsonaro - na sexta-feira, 4, afirmou que a dobradinha Bolsodoria ficou para trás

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