Ministro do STF critica UnB por foto de candidatos negros

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a decisão da Universidade de Brasília (UnB) de verificar por meio de fotografia se os candidatos inscritos no vestibular pelo sistema de cota racial são de fato de negros."Se alguém se declara negro é porque negro é", disse Marco Aurélio. "Vamos parar de imaginar que todos são salafrários. Fotografia não comprova a cor."Contra fraudesA assessoria de imprensa da UnB informou que a exigência de foto tem como objetivo evitar fraudes e que já previa a possibilidade de protestos de alunos brancos. A instituição vai divulgar em 21 de maio as inscrições aceitas dentro de regime de cotas.A seleção será feita por uma comissão de especialistas e quem for excluído terá dois dias para recorrer. Nesse caso, os candidatos poderão passar por entrevista para dirimir dúvidas.Secretária apóia"Não sou contra a foto. Ao instituir esse critério, a UnB está procurando se resguardar e ter mais formas de controle", diz a secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.O governo prepara projeto de lei, ainda sem data de envio ao Congresso, para obrigar todas as universidades federais a reservarem vagas para negros. O ministro da Educação, Tarso Genro, prevê que o assunto vai parar na Justiça e que as contestações só acabarão após os tribunais superiores firmarem jurisprudência sobre o tema.Tarso defende a autonomia das universidades para fixar os critérios de seleção, inclusive o uso da foto ou não, mas acha importante levar em conta se o candidato é pobre.Soweto e GilA coordenadora da ONG Soweto Organização Negra, Gevanilda Santos, diz que a dificuldade de acesso à universidade pública leva estudantes brancos a pleitearem vagas no sistema de cotas. "O jovem vai buscar qualquer condição que lhe favoreça a entrada", diz Gevanilda.A secretária Matilde entende que é natural haver reações contrárias, uma vez que as cotas ainda não estão "legitimadas" no País e a universidade é um local freqüentado majoritariamente por brancos."Onde há desigualdades é preciso tratamentos desiguais", diz o ministro da Cultura, Gilberto Gil, defendendo a reserva de vagas para negros.

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