Ministro da Educação diz que segurança do Enem será reforçada

Fernando Haddad criticou o sistema de contratação das empresas responsáveis pelo exame, por licitação

Ana Conceição, da Agência Estado,

03 Dezembro 2009 | 12h42

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quinta-feira, 3, em entrevista ao programa de rádio "Bom Dia, Ministro", que será reforçada a segurança para a realização da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, de forma velada, criticou o sistema de contratação das empresas responsáveis pelo exame, por licitação.   Veja também: Justiça deve receber denúncia nesta semana Provas do Enem estão em 63 quartéis    A segurança da nova gráfica, a RR Donnelley  Teste seu conhecimento no simulado do Enem   Em outubro, o Ministério da Educação (MEC) cancelou a prova do Enem, após suspeita de fraude e de vazamento do conteúdo da prova. A decisão foi tomada pelo ministro após ter sido alertado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre a quebra do sigilo do exame. No próximo sábado e domingo, 5 e 6 de dezembro, 4,2 milhões de alunos farão a prova do Enem reformulado em todo o País.   Para Haddad, o processo de licitação não permite que o MEC escolha as empresas responsáveis pela formulação, distribuição e aplicação da prova. "Um dos problemas sérios é quando você é obrigado a licitar, não pode escolher o parceiro. Depois do vazamento, tivemos que fazer um contrato de emergência e pudemos escolher parceiros que têm tradição na gestão do Enem", afirmou, referindo-se à Cespe (ligada à Universidade de Brasília) e a Fundação Cesgranrio, que substituíram o Connasel, consórcio que havia vencido a licitação para impressão, distribuição e correção do Enem. "Cespe e Cesgranrio são as instituições que fizeram o Enem desde sempre, sobretudo desde 2004, quando o exame passou a ter importância maior", justificou.   Segundo Haddad, a prova receberá reforços das Polícias Militares estaduais e da Polícia Federal. Os Correios farão a distribuição das provas com uma logística muito parecida com a que é adotada na distribuição das urnas eletrônicas durante as eleições. "Além disso, a PF refez todo o fluxo da prova. Desde a saída do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) até os oito mil locais onde o exame será aplicado", disse.   Para o ministro, universidades que suspenderam o uso do Enem em seus processos seletivos por causa do adiamento do exame, como a USP e a Unicamp, voltarão a adotar a prova a partir do ano que vem.   Escolas técnicas   Ainda no programa "Bom Dia, Ministro", Haddad falou a respeito do acordo com o "Sistema S", que permitiu a criação de 500 mil novas vagas no ensino profissional, além da expansão do ensino técnico, que passará de 140 escolas para 354 em 2010. "Cada unidade dessas terá o compromisso de estudar o potencial e a vocação da região para estabelecer uma matriz curricular aderente ao potencial local, mas sem descuidar da educação geral", explicou.   Haddad também disse que espera que o Senado aprove, na próxima semana, um projeto de lei que determina que todo jovem que queira cursar carreiras com licenciatura terá acesso ao financiamento estudantil. Se depois de formado, o professor lecionar em escola pública, a cada mês de trabalho ele quita 1% da sua dívida.

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