Ministro compromete-se com universidades e ensino fundamental no Fórum de Educação

No fim de semana, durante a abertura do Fórum Mundial de Educação, uma espécie de evento paralelo do Fórum Social, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, confirmou o nome de seu secretário-executivo (João Luiz Homem de Carvalho), prometeu reunião com diretores de universidades e comprometeu-se em rever a estrutura do ensino fundamental. Sobre Carvalho, disse: "Por ser gerente e não pedagogo, ele não terá preconceito contra nenhum método de alfabetização."O ministro também assegurou que o método para a alfabetização de brasileiros será "absolutamente livre" para poder ser adequado às realidades locais. Mas lembrou que os alfabetizadores, que serão recrutados entre voluntários, universitários e estudantes passarão por um treinamento.Para Cristovam Buarque, o Brasil tem condições de erradicar o analfabetismo em poucos anos. Segundo cálculo do ministério, são necessárias 70 mil pessoas num universo de 4,5 milhões de habilitados para ensinar adultos e crianças a ler e escrever. Os custos seriam de R$ 1,5 bilhão ao ano.O ministro também confirmou a manutenção das provas de avaliação dos cursos universitários, mas com um rigor maior que o atual. "Queremos avaliar a avaliação", disse.Cristovam Buarque anunciou para o próximo sábado, durante o Fórum Social Mundial, uma reunião de reitores das universidades públicas para traçar metas do Programa Nova Universidade. Lembrando que a última reforma do ensino superior foi no governo militar, Buarque acredita que é hora de o ensino superior ser atualizado, para "acompanhar a velocidade com que o conhecimento é feito e se expande".Também defendeu a fiscalização de escolas superiores particulares para garantir o ensino como um bom produto para o aluno que paga caro para ter acesso aos cursos.Novas diretrizes para o ensino básico também começarão a ser traçadas nos próximos dias. O ministro vai agendar, ainda para janeiro, uma reunião com os secretários estaduais e, para fevereiro, um encontro com 1,1 mil secretários municipais de Educação.O ministro defendeu, ainda, que a discussão ética seja levada à primeira infância. "As crianças têm capacidade de entender transgênicos, clonagem e meio ambiente, desde que o conhecimento seja levado a elas com carinho", avaliou. Buarque admitiu que o currículo das escolas rurais deve mudar e incluir mais matérias adequadas à realidade local. E disse acreditar que com uma bolsa-escola de R$ 65,00, aulas e atividades agradáveis muitas crianças terão condições de deixar de trabalhar para estudar.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2003 | 16h09

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