Ministério reconhece situação alarmante do nível de aprendizado

A Secretaria de Educação Fundamental do Ministério da Educação reconheceu como graves os problemas revelados pela pesquisa sobre capacidade de leitura entre adolescentes, produzida pela Unesco e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e enumerou o que considera principais causas do péssimo desempenho dos estudantes brasileiros: atraso escolar provocado pelos altos índices de reprovação e abandono, desigualdade social, baixa renda da população e baixa qualidade das escolas.No Brasil, o estudo foi baseado em testes aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a 4,8 mil adolescentes de 15 anos matriculados em 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e em 1ª e 2ª séries do ensino médio. Na média das três áreas avaliadas ? nível de compreensão de leitura, matemática e ciências ? o desempenho brasileiro ficou em penúltimo lugar.Sem competências básicas"Os dados vêm confirmar o que já era do conhecimento do Ministério da Educação", afirmou Maria José Féres, secretária de Educação Fundamental, através da assessoria de comunicação do ministério. O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) já havia constatado que 59% dos estudantes da 4ª série do ensino fundamental ?ainda não desenvolveram as competências básicas de leitura?.Segundo o estudo, o desempenho dos alunos está diretamente relacionado aos investimentos em educação efetuados pelas autoridades de seus países. O gasto acumulado por aluno brasileiro até os 15 anos é de US$ 10 mil PPC ? Paridade do Poder de Compra, medida que compara a capacidade das moedas locais comprarem os mesmos produtos e serviços ?, superando apenas a Indonésia e o Peru. Ou seja, é uma posição condizente com a classificação dos estudantes na pesquisa. Os países com os maiores gastos são a Áustria (US$ 76 mil) e os Estados Unidos (US$ 73 mil).DesigualdadesDesigualdades sociais também são fator diretamente ligado ao desempenho dos adolescentes, conforme o estudo Unesco-OECD. ?Os mais altos níveis de desigualdade tendem a estar relacionados com os menores índices de desempenho médio", afirma o relatório.Estudantes da Finlândia (546 pontos), o Canadá (534) e Nova Zelândia (529) obtiveram as maiores médias quanto à capacidade de compreensão na leitura. Em matemática, foram os de Hong Kong / China (560), Japão (557) e Coréia do Sul (547). Em ciências, só mudou a ordem da classificação: Coréia do Sul (552), Japão (550) e Hong Kong - China (541).

Agencia Estado,

02 de julho de 2003 | 01h47

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