Minha vida de trainee: Gilberto Gil e executivos contam suas experiências

Gilberto Gil, cantor, compositor e ex-ministro

Etienne Jacintho e Carolina Stanisci,

22 Agosto 2010 | 00h24

Entre a MPB e a Gessy

1965. Formado no curso de Administração na Federal da Bahia, Gilberto Gil dividia o tempo em São Paulo entre o programa de treinamento na multinacional Gessy Lever (hoje Unilever) e a música. “O treinamento era ótimo. Até poderia seguir.” Mas a multinacional tinha concorrentes de peso: Gil já conhecia Vinícius de Morais, Chico Buarque, Elis Regina. “Tinha os festivais, as músicas. Foi um ano de transição para mim.” Até que um executivo lhe disse: “A gente percebeu que você tem de seguir a carreira de artista. Muito obrigado pelo seu tempo.” O chefe se ofereceu até para pagar indenização a Gil. “Para que eu pudesse ter um pequeno fôlego financeiro para bancar o início de carreira. Acredita?

Meu foco tinha mudado para a música, afinal, já havia começado a conviver com Vinicius, Baden, Elis, Chico... Na Gessy, já foi a mudança que eu vinha carregando, do profissional liberal para a coisa do artista”

 

Marcos de Oliveira, presidente da Ford do Brasil e Mercosul

Global, made in Brazil

Presidente da Ford no Brasil e no Mercosul, Marcos de Oliveira, de 50, entrou como estagiário na Divisão de Componentes Automotivos da empresa em 1984, quando terminava Engenharia Elétrica na FEI. Para ele, o estágio serviu para reforçar valores como “o respeito ao ser humano”. Oliveira, que já passou pela Ford dos EUA, da Espanha, do México e da África do Sul, acredita que foi admitido pelo seu “equilíbrio entre conhecimento técnico e habilidade de trabalhar com pessoas”. “Meu interesse pelos produtos e tecnologias da empresa também contribuíram.” Qual conselho ele dá a aspirantes a estagiários ou trainees na Ford? “Vejam o estágio não só como necessidade para obtenção de emprego, mas como oportunidade de aplicar conhecimento teórico em experiências práticas no mundo corporativo.”

É importante vestir a camisa da empresa desde o primeiro momento, e não ser visto apenas como uma pessoa interessada em marcar ponto para buscar outro trabalho”

 

Rodrigo Otávio, gerente regional de logística da Ambev

Ambição e ascensão

Formado em Engenharia Mecânica no Cefet, no Rio, Rodrigo Otávio, de 33 anos, virou trainee na Ambev em 2001. Em menos de 10 anos, a carreira do hoje gerente regional de logística decolou. Antes dos 30 anos, ele já chefiava uma fábrica em Recife com 600 funcionários. Para Rodrigo, ter sido trainee foi decisivo na sua trajetória. “Você passa por todas as áreas, porque os gerentes e diretores te veem, te conhecem e, depois, fazem com que as portas estejam abertas.” Ele diz que o programa, de dez meses, valorizou não só o aprendizado técnico, mas a questão da liderança, marca da Ambev. “Queremos pessoas com carreira acelerada, que em algum momento terão uma equipe para liderar.” Rodrigo diz ter contado com um trunfo aparentemente simples na seleção para o programa da empresa, que tem perfil competitivo: “Fui eu mesmo. Não mostrei o que não era. Mas eles conseguiram enxergar em mim o brilho no olho e a sede de desafio.”

A empresa quer agentes de mudança, que possam ter condições de dar opiniões e tomar atitudes para a companhia mudar para melhor”

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