Minha Biblioteca: Susana Hungaro

Coordenadora de português do Colégio Bandeirantes, de SP, comenta quatro de seus livros favoritos

Estadão.edu,

25 Fevereiro 2013 | 22h22

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago

"Foi fundamental para a minha formação. Li esse romance pela primeira vez quando estava na faculdade de Letras. O estilo original do autor, que não separa nem hierarquiza os discursos, aliado a uma perspectiva totalmente nova (revolucionária para uns, herege para outros) adotada para narrar a história da vida de Jesus, levou-me a decidir que queria estudar esse autor na pós-graduação."

A Geração da Utopia, de Pepetela

"Motivada pela leitura de Saramago, fui estudar, na pós-Graduação, Literaturas de Língua Portuguesa. Tive contato com a literatura africana e, especificamente, encantei-me com o angolano Pepetela. Nessa obra, há 30 anos de história e cultura angolanas. É possível conhecer um pouco da história de uma geração (da qual o autor fez parte) que sonhou com a independência do país, mas acabou por ter seus projetos utópicos frustrados."

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

"Não é um romance para uma única leitura. Cada vez que o lemos, descobrimos algo novo. Trata-se de uma obra genial, na qual um defunto narra sua história – perspectiva privilegiada da vida. Com essa leitura, entre outras descobertas, consegui, ainda na juventude, superar uma visão maniqueísta do mundo, pois me dei conta, por meio da história narrada, que as pessoas, independente de suas classes sociais, são seres complexos, capazes de cometer tanto atos louváveis quanto detestáveis. Nesse romance, há um dos desfechos mais célebres da literatura. Vale a pena ler e reler essa obra para acompanhar o raciocínio do autor e refletir sobre suas considerações finais."

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

"À primeira vista, parece que o autor, nessa obra, denuncia o problema da seca no sertão nordestino. É verdade, mas a obra ultrapassa essa temática e, na realidade, denuncia a total miséria humana, o que faz com que homens e animais não se diferenciem. O que sempre me encantou nesse livro foi perceber que é possível comover, ser poético, com um estilo caracterizado pela concisão, objetividade, ou seja, pela 'secura', e com um enredo que tem como protagonistas seres embrutecidos."

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