Cedida por Thyago Marcondes
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Militantes ficam feridos após sessão do Escola sem Partido em Guarulhos

GCM da cidade usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha para dispersar os manifestantes

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 01h27

SÃO PAULO - Uma sessão da Câmara Municipal de Guarulhos, na Grande São Paulo, que discutia o projeto Escola sem Partido terminou em tumulto na tarde desta quinta-feira, 3. Durante a saída dos manifestantes da Casa, houve confusão entre os apoiadores e opositores da proposta. Agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) da cidade usaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e dispararam tiros de balas de borracha. Professores relataram que foram agredidos - a prefeitura não confirmou o número de feridos.

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A sessão tinha o objetivo de apresentar o projeto de lei de autoria do vereador Laércio Sandes (DEM), que quer proibir os professores da rede pública municipal de praticar "doutrina política e ideológica em sala de aula". Na semana passada, quando os vereadores tentaram pela primeira vez discutir a proposta, a oposição obstruiu os trabalhos.

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Nesta quinta, o auditório da Câmara foi tomado por militantes favoráveis e contrários à proposta. Para evitar problemas, a GCM fez um cordão de isolamento e dividiu os dois grupos em lados opostos. No entanto, provocações, insultos e princípios de tumulto fizeram a reunião ser encerrada.

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A GCM determinou que os manifestantes que protestavam contra o projeto saíssem da Câmara primeiro. Na sequência, o grupo simpatizante do Escola sem Partido deixou o local por uma saída dos fundos, na Rua Luiz Faccini, e se dirigiu a um ônibus fretado. Os guardas escoltavam os manifestantes até o veículo quando uma confusão começou.

"Eles (favoráveis ao projeto) estavam saindo escoltados, a gritaria começou, a GCM atacou os manifestantes", afirmou ao Estado o professor de História Thyago Marcondes, que foi atingido na costela por um tiro de bala de borracha disparado pela Guarda. "Os GCMs estavam truculentos, bastante nervosos, não eram preparados para esse tipo de coisa."

Segundo o professor, os agentes arremessaram bombas de efeito moral e atiraram com balas de borracha a esmo. "Começaram a disparar contra a multidão, sem isolar a rua e transeuntes", disse.

Um idoso teria sido atingido na perna por uma bomba de efeito moral.

Os manifestantes que defendiam o Escola sem Partido relataram nas redes sociais que foram agredidos pelo grupo contrário ao projeto, formado por professores, sindicalistas, universitários e estudantes secundaristas.

"Me agrediram, eu tenho tudo gravado. Depois, eu vou divulgar. Eles não toleram a opinião divergente, eles não toleram aqueles que pensam de forma diferente", declarou um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) em vídeo publicado na página do MBL Guarulhos.

Ao longo da semana, o movimento convocou sua militância para ir à sessão na Câmara de Guarulhos defender o Escola sem Partido.

Já o Direita São Paulo publicou vídeos e fotos na rede social que mostram que o ônibus do grupo foi atacado a pedradas. Segundo o movimento, nenhum integrante ficou ferido. Em uma das publicações, o Direita São Paulo disse ainda que "salvou as vidas de cinco membros do MBL".

Procurada, a prefeitura de Guarulhos, responsável pela GCM, declarou que, "diante do tumulto entre apoiadores e contrários ao debate, a GCM interveio com uso de gás de pimenta, a fim de evitar confronto maior entre os manifestantes e garantir a segurança das pessoas no entorno da Câmara Municipal".

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