Arquivo pessoal
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Mestrado pode oferecer formação acadêmica ou profissional

Com abordagem aprofundada, a modalidade é indicada tanto para seguir área acadêmica quanto para usar aprendizado na carreira

Camila Santos, Especial para o Estado

08 Dezembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Dados da Avaliação Trienal 2013 apontam que o Sistema Nacional de Pós-Graduação teve crescimento de aproximadamente 23% de 2010 para 2012. O levantamento divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mostra a expansão dos cursos stricto sensu - mestrado e doutorado - e reforça o interesse pela atualização de conhecimentos acadêmicos.

“Ter cursado só a graduação não tem a mesma relevância do passado”, diz Paulo Rodrigues, diretor do escritório da University of Southern California (USC) no Brasil. Ele destaca que o momento ideal para buscar o aperfeiçoamento varia conforme a competitividade do setor de atuação e que o profissional, por estar em uma fase madura, torna-se capacitado a analisar o cenário com sensatez. “É diferente do jovem que entra na faculdade aos 17 anos e precisa decidir por um ofício.”

Segundo a consultora de carreira Tânia Abiko, a escolha por um dos cursos oferecidos no mercado exige definição de metas a curto e longo prazo. “É fundamental assimilar as modalidades disponíveis para o alinhamento das preferências.”

A consultora ressalta que o fato de o mestrado ter uma abordagem menos generalista em comparação à pós-graduação latu sensu (ou especialização) contribui para uma boa avaliação do profissional em processos seletivos de contratação. “O mercado tende a valorizar a formação aprofundada aliada a experiências sólidas.” 

Em relação ao mestrado, a Capes estabelece as seguintes categorias: acadêmico e profissional. Ambas oferecem o título de mestre, mas se diferenciam quanto à abordagem e, posteriormente, ao encaminhamento dos estudantes. 

Teórico e científico. Voltado à formação de pesquisadores, o mestrado acadêmico tem como foco a vasta fundamentação teórica e científica. Com duração média de até dois anos, esse modelo é indicado para aqueles que querem se tornar docentes. Dessa forma, as atividades iniciadas ao longo do mestrado tendem a ser consolidadas no doutorado. Para a conclusão do curso, o estudante deve elaborar dissertação, orientada por pesquisas anteriores. 

Segundo o professor Enlinson Mattos, coordenador do mestrado acadêmico em Economia da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (EESP-FGV), recém-graduados representam uma parcela significativa dos alunos. “Eles retornam ao mercado em sintonia com teorias e técnicas recentes e podem trabalhar com Finanças, Consultoria e Engenharia Econômica.” 

No campo da Saúde, por exemplo, além de profissionais que pretendem entrar para a vida acadêmica, fisioterapeutas clínicos que querem compreender o método científico e a prática baseada em evidências podem recorrer ao mestrado acadêmico em Fisioterapia. “Muitos alunos escolhem o curso para responder às próprias perguntas ambulatoriais do dia a dia”, esclarece o coordenador do curso da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), Leonardo Oliveira Pena Costa. 

Conceitos e prática. O mestrado profissional incentiva a qualificação do estudante para que depois retorne ao mercado. Segundo a Capes, a modalidade stricto sensu foi regulamentada em 2009 e tem o objetivo de contribuir com o nível de produtividade em organizações. Assemelha-se ao mestrado acadêmico quanto à duração, mas permite a apresentação do trabalho de conclusão de curso em forma de projeto ou estudo de caso.

No mestrado profissional em Educação: Formação de Formadores, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o aluno sai com a capacidade de ajudar no ensino de professores, para solidificar o aprendizado de crianças e jovens. “A maioria dos participantes exerce função de direção de escola ou supervisão”, afirma a coordenadora do curso, Marli André.

O mestrado profissional em Empreendedorismo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é voltado a quem quer aprimorar a rotina de trabalho. “O curso forma profissionais para atuar com eficiência gerencial e executiva no campo organizacional”, diz o coordenador, Martinho Ribeiro de Almeida.

Serviço

FEA-USP

Curso: Mestrado Profissional em Empreendedorismo

Duração: 30 meses

Vagas: 20 por ano

Inscrição: Janeiro de 2016

Seleção: Provas do Teste da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Anpad), avaliação do currículo e do pré-projeto e adequação do projeto com candidatos classificados na etapa anterior

Custo: Gratuito

Início das aulas: Na primeira semana de março

Site: portalfea.fea.usp.br

EESP-FGV

Curso: Mestrado em Economia de Empresas

Duração: Até 30 meses

Vagas: 20 por ano

Inscrição: Não há data definida

Seleção: Prova da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), análise curricular, projeto e entrevista

Custo: Gratuito - os alunos recebem bolsa de pesquisa

Início das aulas: 4/1/2016

Site: eesp.fgv.br

PUC-SP

Curso: Mestrado Profissional Educação: Formação de Formadores

Duração: Mínimo de 18 meses

e máximo de 30 meses

Vagas: 40

Inscrição: Segundo semestre de 2016 (ainda sem data definida)

Seleção: Prova escrita sobre Educação e discussão coletiva e certificação de proficiência em língua

Custo: R$ 931,57 (valor de 2015)

Início das aulas: Não definido 

Site: pucsp.br

Unicid

Curso: Mestrado em Fisioterapia

Duração: Dois anos

Vagas: 20 por ano

Inscrição: 5/2/2016

Seleção: Provas de conhecimento geral e específico e de inglês, além de entrevista

Custo: R$ 950 por mês - os cinco primeiros colocados na seleção recebem bolsa integral da Capes

Início das aulas: 1/3/2016

Site: unicid.edu.br

Depoimentos 

‘Participo de pesquisa econômica de relevância’

Maria Fernanda Betto, Mestrado em Economia na EESP-FGV

“O mestrado acadêmico em Economia forma indivíduos que entendem a área de maneira profunda e que podem atuar na geração e aplicação de conhecimentos econômicos com resultado positivo para a sociedade e de maneira responsável. 

Na minha opinião, a fundamentalidade disso não parece tão óbvia. É fácil ter opiniões sobre Economia e sobre a condução de política econômica - quase todo mundo as tem. Mas exercer uma posição com algum tipo de influência sobre questões de ordem econômica sem preparo adequado é absolutamente desastroso - exemplos disso com certeza não faltam na história do País. 

O curso em si não deixa de ser desgastante. A dedicação é exclusiva pois os estudos exigem muito dos alunos, e é preciso ter foco e organização. Mesmo assim, acredito que valha muito a pena. A proximidade com os excelentes professores e com os centros de pesquisa da escola permite entender e participar ativamente de pesquisa econômica atual e de relevância. O ambiente estimula o diálogo, a curiosidade científica e a troca de informações.

Seminários acadêmicos toda a semana permitem vislumbrar as linhas de pesquisa e a produção acadêmica de pesquisadores de centros nacionais e internacionais de renome. Tudo isso nos permite ter uma perspectiva muito interessante e atual sobre Economia e sobre a carreira, principalmente para aqueles que, como eu, pretendem continuar na academia.”

‘Me despertou interesse pelo Doutorado’

Alessandra Narciso Garcia, Mestrado em Fisioterapia na Unicid

“Fazer mestrado para quê? Lembro-me de que essa foi uma das perguntas que mais ouvi na época em que pensei em iniciar o curso. Percebi que o termo mestrado, para muitas pessoas, já era uma barreira por remeter a uma palavra bastante temida: pesquisa. Era como se na mente das pessoas a palavra pesquisa automaticamente trouxesse vários pensamentos de algo entediante, com poder de engessar a criatividade dos profissionais da área clínica.

No entanto, percebi que alguns dos pensamentos, argumentos e até mesmo dúvidas das pessoas tinham uma fundamentação baseada na falta de experiência e conhecimento. O que vivenciei no mestrado me permitiu entender a real importância da pesquisa, além de aprender como desenvolver pesquisa, estruturar a escrita de artigo científico e buscar a melhor evidência científica.

Também me possibilitou usar informações eficazes no atendimento dos meus pacientes na clínica e desenvolver habilidades de questionamento coerente, organização e disciplina, cumprimento de prazos, resiliência e segurança para falar em público. Pude participar de congresso da área, apresentar artigos e trocar informações em reuniões científicas oferecidas pelo programa. A experiência no mestrado me tornou uma profissional mais segura e preparada para encarar o meio acadêmico, abriu porta de contratação em universidades e despertou em mim o interesse de querer mais, com o doutorado.”

‘Busco aliar a academia e a escola’

Alcielle dos Santos, Mestrado profissional em Educação: Formação de Formadores na PUC

“O mestrado tem sido uma vivência marcante em minha trajetória. O programa oferecido contribuiu para o meu desenvolvimento profissional, pois as disciplinas e a linha de pesquisa têm impacto direto em relação às minhas práticas como coordenadora pedagógica.

A proposta de mestrado profissional, permite que o aluno opte por metodologias de pesquisa qualitativa que possibilitam sua observação participante, de diferentes formas, conciliando experiência profissional e formação acadêmica. Diante disso, a pertinência em relação ao contexto educacional do País se torna evidente.

Defendo isso, pois como integrantes de equipes pedagógicas das redes pública ou privada, temos um compromisso de transformação das nossas escolas para promover ambientes de aprendizagem mais significativos e colaborativos, com alunos melhor preparados para os desafios de suas vidas acadêmicas e profissionais. Portanto, penso que a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) oferece um curso que atende aos anseios de educadores que buscavam um olhar para suas ações como gestores dos projetos de formação de suas escolas, ou redes de atuação.

Esforço-me, como aluna e pesquisadora, para que minha dissertação de mestrado contribua para as vivências e situações de ensino e aprendizagem vivenciadas por outros educadores. A parceria entre a academia e a escola renderá bons frutos sempre que estabelecida nos moldes de construção conjunta, colaborativa e integradora. Essa é a minha perspectiva de trabalho e a proposta do mestrado profissional que me conquistou.”

‘Mestrado também beneficia a sociedade’

Cibele Vegiato, Mestrado profissional em Empreendedorismo na FEA-USP

“Nossa sala é formada por pessoas com carreiras e faixas etárias diferentes, de várias indústrias e ramos de atuação. Essa diversidade traz discussões aprofundadas e muito positivas para enxergarmos diversos pontos de vista.

O formato das aulas varia conforme o método escolhido por cada professor. Alguns deles incentivam o debate em sala, trazem convidados expressivos dos meios profissional e acadêmico, incentivam para trazermos nossas experiências, para participarmos de feiras e de congressos e para ficarmos conectados com notícias do setor e com as novidades do mercado.

Tratamos de teorias de autores renomados, mas também discutimos o que está sendo feito hoje, como o mundo está mudando, como isso afeta o mercado. Acredito que em alguns casos, estamos sendo pioneiros no estudo formal de alguns temas de modelos de negócio, empreendedorismo, start-ups, venture capital - principalmente quando tratamos do contexto brasileiro sobre tais temas.

Acredito que o modelo de Educação vem mudando porque a informação que nós obtínhamos na época de escola (durante os ensinos fundamental e médio) hoje é facilmente encontrada na internet, contada sob uma variedade de pontos de vista e não só sob a visão do autor do livro didático. Atualmente, os professores precisam estimular nos alunos o pensamento crítico, o raciocínio lógico, as soft skills.

Em uma sala de mestrado, essa oportunidade é muito grande. Diversos de nós somos ou vamos nos tornar professores ou líderes que têm por objetivo estimular essas competências também em outras pessoas. Eu acredito que a relevância de um curso como esse oferecido pela USP (Universidade de São Paulo) vai além do seu resultado imediato sobre os alunos, mas se estende sobre o que esses alunos vão proporcionar à sociedade.”

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