Werther Santana
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Mesmo em área pobre, escola é destaque em SP

A Escola Estadual Força Aérea, no Parque Santa Rita, extremo leste da capital, viu seu Ideb saltar para os anos iniciais do ensino fundamental em cada edição da avaliação – em 2007, tinha uma nota 4 e, no ano passado, registrou 6,6

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2016 | 06h00

A Escola Estadual Força Aérea, no Parque Santa Rita, extremo leste da capital, é um exemplo de que a renda da família dos alunos não determina um destino de notas baixas para o colégio. A unidade viu seu Ideb saltar para os anos iniciais do ensino fundamental (do 1.º ao 5.º ano) em cada edição da avaliação – em 2007, tinha uma nota 4 e, no ano passado, registrou 6,6, média maior do que a esperada para o colégio em 2021.

Das janelas do pátio da instituição, que atende cerca de 900 alunos (entre crianças e estudantes da Educação para Jovens e Adultos), é possível ver, ao fundo, uma grande favela, a Água Vermelha. É de lá que vem grande parte dos estudantes do colégio. A entrada é bem cuidada e não há pichações, como em outras unidades do entorno. 

O segredo, diz a diretora Erika Evangelista Ferreira da Silva, é que o colégio está “enraizado” na comunidade. Ela está no local desde 2003. “Nossos alunos do período noturno (os mais velhos, da Educação de Jovens e Adultos) são os pais das crianças que estudam pela manhã. Ninguém quer ver a escola suja ou depredada, pois são os filhos, parentes e amigos da comunidade que estudam aqui”, explica a diretora.

Parte dos alunos chega à escola sem nem ter o que calçar. Para ajudá-los, o colégio arrecada roupas e calçados de vizinhos e deixa em uma caixa para que se possa “abastecer” as crianças que precisarem. Refeições também são importantes: o colégio oferece lanches e almoço ao menos uma vez por dia. A unidade não atua sozinha: conta com apoio de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da região, que oferece assistência odontológica e até apoio psicológico aos estudantes. 

Na sala de aula, o acompanhamento também é próximo: a professora Paloma Morita, que chegou ao colégio em 2013, conta que são feitas, com frequência, rodas de conversas com os estudantes. “Há um atendimento individualizado.”

Treinamento. Semanalmente, os professores se reúnem para discutir o desempenho dos estudantes na Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo. Nesse espaço, eles estudam os resultados da escola no Saresp (avaliação estadual de desempenho semelhante à Prova Brasil) e tentam identificar as defasagens de cada sala de aula.

“Estudamos caso a caso, para entender as dificuldades dos alunos. Também tentamos identificar as práticas de sucesso para replicar”, afirma a diretora. Até o ano passado, os alunos também contavam com aulas de reforço e professores auxiliares em sala, mas a crise fez o benefício ser cortado. “Este ano está mais difícil”, pondera a diretora. 

Renda maior pesa no desempenho até dos estudantes das redes públicas
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