Mesmo com liminar e denúncias da Defensoria, MEC não cogita refazer a prova de sábado

Haddad diz que vai apurar como ocorreu o erro e diz que já busca nova data que não prejudique candidatos

Felipe Mortara e Rafael Moraes Moura/ BRASÌLIA, Estadão.edu

08 Novembro 2010 | 19h05

Horas depois de a Justiça Federal do Ceará suspender a edição 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o ministro da Educação, Fernando Haddad, concedeu entrevista à imprensa, minimizando os problemas constatados na aplicação da prova atribuindo parte deles, como a encadernação equivocada, à gráfica responsável pela impressão. Haddad também disse que o MEC não cogita aplicar a prova de sábado a todos os estudantes, como recomendou a Defensoria Pública da União (DPU).    

 

A juíza 7ª Vara Federal Carla de Almeida Maia, que concedeu a liminar de cancelamento da prova, declarou que "os erros de impressão prejudicaram alguns candidatos e as soluções até agora apresentadas pelo MEC não resolvem o problema". Uma nova data será atribuída após a conclusão das apurações, porém o ministro não soube precisar quando. "Devemos checar com atenção e precisão quantos foram os estudantes atingidos.”

 

De acordo com Haddad, a quantidade de queixas e reclamações que chegou até o momento pelos canais de comunicação do MEC ainda é mínima. "Como tínhamos 370 mil provas sobressalentes de cada cor para reposição, e foram 21 mil que apresentaram problema, não estamos cogitando anular o Enem", disse. Seuindo o ministro, o MEC vai levar ao conhecimento da Justiça Federal do Ceará as informações que dispõe de que o número de alunos atingidos pelas falhas no sábado foi pequeno.    

 

Além disso, destacou, o MEC vai mostrar que as provas que vierem a ser aplicadas serão rigorosamente comparáveis com as aplicadas no sábado. "Essa é a força que o Enem tem: poder ser refeito para os casos onde ocorreu qualquer tipo de falha", avaliou o ministro, acrescentando estar confiante de que, com os dados técnicos que serão apresentados à Justiça, a decisão poderá ser revista. Haddad disse ainda que somente a quebra de isonomia caracteriza a revisão de uma prova, o que, na sua avaliação, não ocorreu.    

 

Sobre fraudes e vazamento do tema da redação disse que, em conversa com o presidente Lula, no domingo,  obteve total liberdade para apurar o que houve durante a aplicação do exame. O ministro atribuiu o erro à gráfica. "A responsabilidade pela prova amarela já foi assumida pela gráfica. Houve falha humana e precisamos apurar se houve erro de algum funcionário do Inep", enfatizou.

 

O caso de um jornalista de Pernambuco que passou o tema da redação por meio de mensagem de texto de seu celular, o ministro considerou crimono o ato. "Foi uma atitude criminosa e já conversei com a OAB sobre as medidas cabíveis.”

 

Disse ainda considerar baixo o índice de abstenção, de 27% nos dois dias. "Tivemos uma baixa ausência de candidatos e o problema de sábado não diminuiu o quórum do domingo.”

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