Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Mercado leva até um ano para treinar engenheiros novatos

Profissionais recém-formados mostram ter bons conhecimentos de cálculo, mas carências quando começam a operar no mercado

Luiz Fernando Toledo e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 05h00

As empresas gastam de três meses a um ano para treinar engenheiros recém-formados, de acordo com estimativas de entidades da indústria. A atualização do currículo dos cursos deve facilitar a ponte entre a universidade e o mercado, tanto para estudantes quanto para professores.

"Os engenheiros vêm preparados em termos de cálculo, com boa formação acadêmica. Mas, quando vão operar no mercado de trabalho, têm dificuldades", confirma Paulo Mól, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com uma economia mais diversificada, segundo especialistas, aumentará a demanda por vagas de trabalho complexas. 

"O ideal é que as aulas sejam mais dinâmicas, com problemas reais", defende Mól. Sistemas de formação técnica de países desenvolvidos, como Alemanha e Estados Unidos, são citados como bons exemplos. A confederação reivindica que a iniciativa privada participe mais da formulação e da rotina dos cursos. 

Na incorporação de demandas do mundo do trabalho, graduações recentes podem ter vantagens sobre as tradicionais, como maior rapidez para fazer ajustes e engajar o corpo docente em novidades. “Embora sabendo o que o mercado quer e precisa, é muito difícil mudar, principalmente em escolas de forte reputação”, afirma Irineu Gianesi, diretor da graduação em Engenharia do Insper. 

FLEXIBILIDADE

O professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) José Roberto Cardoso afirma que a rediscussão dos currículos, para novas e antigas escolas, é uma tendência mundial. "O diálogo dentro de classe ainda é pobre", afirma o professor. "É necessário fazer com que o aluno tenha postura mais ativa na busca pelo conhecimento. O professor deve ser apenas um orientador." 

Outra necessidade, na opinião de Cardoso, é reduzir a carga horária dos cursos de Engenharia no Brasil. "É excessiva. O estudante precisa ter mais tempo para projetos paralelos na universidade ou para a prática de esportes, por exemplo", argumenta. 

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