Mercado diminuiu demanda, exceto por engenheiros

Especialistas comentam números do Censo da Educação Superior 2012 divulgado nessa terça-feira, 17, pelo Ministério da Educação

Bárbara Ferreira Santos e Daniel Trielli,

18 Setembro 2013 | 00h00

O Censo da Educação Superior 2012 divulgado nessa terça-feira, 17, pelo Ministério da Educação, aponta que o ensino superior teve um crescimento menor no número de matrículas em 2012. Enquanto em 2011 o aument em relação a 2010 chegou a 5,6% (de 6,38 milhões para 6,7 milhões), em 2012 o porcentual foi de 4,4% -  7,03 milhões.

Para Roberto Lobo, ex-reitor da USP e especialista em gestão na área de Educação, a queda no crescimento do número de matrículas na graduação (de 5,6% em 2011 para 4,4% em 2012) é um reflexo do baixo número de formados no ensino médio. "O aumento da procura de cursos de graduação por uma exigência do mercado de trabalho é um fenômeno que se saturou. Hoje, a demanda do ensino superior depende do número de formados no ensino médio e o índice de evasão nesse ciclo ainda é muito alto"

O mercado também explica por que o setor de Engenharia foi o que teve maior alta de matrículas (16,6% entre 2011 e 2012). A participação dessa área no total de cursos foi de 11,3% para 12,6%, segundo o Censo de Educação Superior 2012.

Segundo o economista e especialista em Educação Claudio de Moura Castro, o aumento do número de matrículas nessa área é o reflexo de uma indústria de construção superaquecida. "Nos últimos anos houve um ‘boom’ na construção civil, um crescimento econômico e ascensão da classe C. A demanda por engenheiros aumentou e isso incentiva a procura por esses cursos."

O País tem uma proporção muito maior de matriculados em Educação (licenciaturas e pedagogia) que a média dos países mais desenvolvidos, representados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). São 19,4% dos matriculados no País contra 9,9% na OCDE. Para Castro, o Brasil têm mais matriculados porque está recuperando hoje a falta de investimento na educação nas últimas décadas. "O fato é que a OCDE está com um nível praticamente estagnado de formação de educadores, já formam pessoas em quantidade adequada. Já o Brasil não fez nos últimos 20 anos o que os países desenvolvidos fizeram no século 19"

Já a participação de formados em Humanidades e Artes no total de matrículas no Brasil (2,3%) é muito abaixo da média da OCDE (11,4%). O pesquisador explica que o número é baixo porque o País está formando estudantes principalmente nas áreas de "urgência". "É considerado um ‘luxo’ ainda a formação nas humanidades e esse número revela a urgência que o País tem em áreas estratégicas." Por outro lado, ele explica, as habilidades preparatórias para os cursos nessa área precisam ser incentivadas desde os anos básicos de educação. "Para se tocar um instrumento, o aluno deve ter começado a aprender aos 7 ou 8 anos, por exemplo. Encontramos pouquíssimas escolas públicas que oferecem aulas de música na infância, então aqueles que fizeram aulas particulares é que chegam à graduação em música."

O censo também revelou que São Paulo é o Estado com maior proporção de pessoas no ensino particular - são 5 matriculados na rede privada para cada um na rede pública. Para Roberto Lobo, isso tem dois motivos: primeiro, porque é o Estado com maior poder aquisitivo e que tem mais instituições que oferecem cursos particulares porque há demanda; segundo, porque há poucas universidades federais no Estado. "É o Estado em que há o menor investimento federal em ensino superior público. São principalmente as universidades estaduais que seguram a demanda"

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