Paulo Liebert/AE
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Mensalidade de cursinho subiu acima da inflação

Reajuste em 2011 foi de 10,78%, quase o dobro do aumento de preços medido no período pela Fipe

Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo,

09 Janeiro 2012 | 09h24

SÃO PAULO - A mensalidade dos cursos pré-vestibulares é a que mais subiu entre os serviços de educação em 2011, atingindo quase o dobro da inflação. O aumento entre janeiro e dezembro foi de 10,78%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), do mesmo período ficou em 5,81%.

O índice de reajuste dos cursinhos supera as médias dos ensinos infantil (7,4%), fundamental (7,58%), médio (7,56%) e superior (6,25%), além dos cursos de idiomas (5,45%) e de informática (8,81%).

Os dados da Fipe se referem à região da Grande São Paulo. De acordo com Rafael Costa Lima, coordenador do IPC, é preciso lembrar que essa taxa ainda não inclui os reajustes para as mensalidades a serem cobradas neste ano.

A mensalidade de um cursinho pré-vestibular pode ultrapassar R$ 1 mil, segundo escolas consultadas pela reportagem. Os preços variam, por exemplo, de acordo com o período escolhido - manhã, tarde ou noite - ou com o enfoque do curso - carreira na área de humanas, biológicas ou exatas.

Para 2012, as mensalidades dos cursinhos pré-vestibulares tiveram mais reajustes. Na maior parte dos casos, de acordo com os cursinhos, o aumento se deve aos gastos com a folha de pagamento dos docentes.

"O principal centro de custos é o professor", afirma Luís Ricardo Arruda de Andrade, coordenador-geral do Anglo - que, para 2012, reajustou os preços em 7%. A mensalidade mais cara é de R$ 1.023, referente ao extensivo da manhã para as turmas de exatas e biológicas.

Para ele, uma possível justificativa para o aumento é o crescimento da demanda de alunos. "Ainda existe uma parcela da população interessada em estudar nas melhores universidades", diz. Outra razão que Andrade enxerga para as escolas terem aumentado tanto é que, nos últimos anos, os cursinhos vinham "segurando" os reajustes. "Uma hora acaba tendo de ajustar."

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Cursinho da Poli. "De 2010 para 2011, reajustamos em 6%, abaixo da inflação", explica o diretor financeiro Fabio Sato. "Para compensar, para este ano tivemos de repassar mais: cerca de 9%", completa. O preço da mensalidade do curso extensivo da manhã, para 2012, será de R$ 181 - o cursinho trabalha com valores reduzidos.

Os cursinhos afirmam que os valores incluem o material didático e que, apesar dos reajustes nas mensalidades, as famílias têm um grande leque de oportunidades para reduzir os gastos.

"Existem muitos concursos de bolsas, promoções, descontos, pagamentos parcelados e a chance de fazer matrícula antecipada", observa Eduardo Figueiredo, coordenador de física do Objetivo, onde o reajuste para 2012 vai de 6% a 9%, dependendo do tipo de curso. "Dizer que o aumento foi de 9% acaba sendo fictício." A mensalidade mais cara do Objetivo para este ano é a do extensivo matutino: R$ 680.

A advogada especializada em direito do consumidor Rosana Chiavassa destaca que, nas escolas em geral, os aumentos de mensalidade devem ser justificados pelas instituições. No entanto, como os cursinhos não são uma etapa obrigatória da educação, as famílias não têm muito a fazer. "Como os pré-vestibulares são cursos livres, eles fazem o que querem e os pais ficam reféns dos preços", diz.

Mesmo assim, ela aconselha as famílias a tentar um diálogo com a escola e também a inscrever os estudantes nos concursos de bolsas. "Vale a pena tentar."

Malabarismo. Para garantir a chance do ingresso em universidades públicas, algumas famílias fazem malabarismos para pagar as mensalidades dos cursinhos. Outras chegam a trocar os alunos de escola, em busca de um serviço mais em conta.

É o caso de Beatriz Momente Miquelin, de 19 anos. Em 2011, ela saiu de um curso que custava cerca de R$ 400 por mês e passou a estudar no Cursinho da Poli. "Agora, com esse valor, a gente paga a minha mensalidade e a da minha irmã", afirma a estudante, que quer uma vaga de Direito. "Se eu ficasse no outro cursinho, não teria nenhum desconto por já ser aluna."

O pai de Beatriz, o bancário Carlos Antonio Miquelin, de 56 anos, ficou satisfeito com a economia que conseguiu fazer. "Ficaria muito caro deixar as duas (filhas) no outro cursinho", explica. "Queríamos algo com custo menor e com boa referência."

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