Menos bola e mais saúde definem os cursos de Educação Física

Faculdade de Educação Física é uma moleza e o estudante passa a maior parte do tempo jogando futebol, vôlei ou nadando. Certo? Errado. O principal objetivo do curso e o que vai acabar formando um bom profissional é principalmente conhecer bem o corpo e também a mente humana. Aulas de anatomia, fisiologia, biomecânica, psicologia, antropologia e, é claro, fundamentos de todos os esportes fazem parte do currículo. A prática é apenas uma pequena parte dele. ?O aluno não vai jogar basquete, vai aprender como ensinar a jogar basquete?, diz o presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) (http://www.usp.br/eef/eefusp.htm), Dante de Rose Júnior. E para isso não é necessário ser atleta ou fã incondicional de todos os esportes, garante o professor. ?O profissional de Educação Física tem de gostar de trabalhar com gente e com atividade física.? Na USP, o curso existe desde 1969, apesar de ter sido criado em 1934. ?A Faculdade de Educação Física conheceu São Paulo inteira?, diz Rose Júnior. ?Começamos no Clube Espéria, passamos pelo Tietê, pelo Ibirapuera e por vários outros lugares até chegarmos à Cidade Universitária.? Hoje são 50 vagas por ano numa faculdade com quadras, piscina, campo de futebol, salas de ginástica e toda a estrutura do Centro de Prática Esportiva (Cepe), que inclui ainda quadras de tênis e pista de atletismo. Emprego Apesar da moda dos personal trainers, o presidente do Conselho Regional de Educação Física, Flávio Delmanto, acredita que o maior mercado continue sendo o das academias e escolas. E aposta ainda em um crescimento. ?O Ministério da Educação e as secretarias estaduais têm incentivado muito a volta do ensino de educação física?, diz Delmanto. Recentemente, o governo de São Paulo lançou um programa para garantir que todas as escolas públicas passem a ter professores de Educação Física, o que não ocorre atualmente. Mas, para se formar professor, não basta cursar os quatro anos da graduação. Neste caso, o formando sai com o título de bacharel, o que permite trabalhar em academias, clubes, clínicas. Para lecionar em escolas é preciso cursar ainda a licenciatura. Segundo Delmanto, o salário médio de um professor de Educação Física gira em torno de R$ 1.200. Já o técnico e os que trabalham em academias recebem um pouco mais. E os personal trainers são obviamente os campeões: a hora/aula pode variar de R$ 20,00 a R$ 150,00. ?Meu sonho é trabalhar com a periferia?, diz o estudante do 4.º ano de Educação Física da USP Douglas Cerqueira Ferdinando. Ele conta que entrou na faculdade imaginando encaminhar-se para áreas ?mais elitizadas? e acabou mudando completamente sua visão da profissão. ?Aprendi muito sobre políticas públicas e acabei me interessando mais pela parte humana e social da Educação Física.? Segundo ele, o melhor da profissão é o contato com as pessoas e o retorno que recebe delas quando consegue desenvolver um bom trabalho. ?É muito bom quando elas dizem que melhoraram sua qualidade de vida.? A idéia de Douglas é poder levar a Educação Física para a cidade toda. ?A atividade física ajuda a diminuir vários riscos, como hipertensão, obesidade e sedentarismo?, lembra. É o que diz também Delmanto: ?O principal foco do profissional deve ser a saúde das pessoas.?

Agencia Estado,

17 de outubro de 2002 | 19h40

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