Megafluxo de informações motiva criação de cursos

Universidades paulistas lançam programas de TI voltados paraa interpretação e o tratamento de grandes quantidades de dados

LUIZ FERNANDO TOLEDO, O Estado de S.Paulo

30 Junho 2014 | 02h02

Seis universidades paulistas terão cursos de Tecnologia da Informação (TI) voltados para a interpretação e tratamento de grandes quantidades de dados, o chamado Big Data - uma das áreas com maior possibilidade de avanço na era pós-internet.

A partir do segundo semestre, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Universidade de Taubaté (Unitau), a Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) e a Faculdade BandTec oferecerão graduações e pós na área, em parceria com a International Business Machines (IBM), empresa americana que vai capacitar docentes e oferecer ferramentas para o ensino.

Cada universidade adotou uma modalidade diferente para aplicação dos cursos. Três são pós-graduações em análise de Big Data (FGV, Mackenzie e Bandtec), uma quarta especialização é focada em gestão de projetos Business Intelligente (Unitau) e há até um MBA (Fiap). A ESPM decidiu integrar o Big Data a um curso de quatro anos de duração, com o nome de Sistemas de Informação em Comunicação e Gestão. O curso da FGV, no primeiro semestre, será oferecido apenas na unidade Rio, mas a instituição deve trazer a opção também para São Paulo.

Para Sérgio Sgobbi, diretor de RH e competitividade da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), há uma tendência de aumento na procura de profissionais especializados em Big Data. "A necessidade está intimamente ligada ao volume maior de informações disponíveis na web e nos bancos de dados e à necessidade das empresas em entender comportamentos, anseios, tendências e gostos dos públicos analisados", explicou.

Sabe-se que 90% dos dados já disponíveis em toda a rede foram criados de 2012 para cá, segundo estudo da IBM. O Facebook, maior rede social do mundo, armazena, acessa e analisa mais de 30 petabytes de dados gerados pelos usuários. Só no último mês, o Facebook foi acessado por 600 milhões de pessoas, em um total de 1,3 bilhão de cadastrados, segundo informações da própria empresa.

Outro estudo produzido pela Gartner, empresa de consultoria em TI, aponta que o tráfego de pessoas na internet vai quadruplicar até o ano de 2015, chegando ao total de 3 bilhões de pessoas, quase metade da população mundial. Esse número massivo de usuários deverá criar 8 zettabytes de informação, que equivale à capacidade de armazenamento de 256 bilhões de DVDs (cada DVD tem a capacidade de 4GB de armazenamento).

Mercado. Em pesquisa, a Brasscom apontou que existe um déficit de 45 mil profissionais no setor da tecnologia, em um mercado em que haverá, em 2014, um total de 78 mil vagas. O varejo é o que mais demanda a especialização com os bancos de dados. Também deverão ser focos dos profissionais os setores de telecomunicação, além de bancos e empresas de segurança da informação.

A gerente da área de ecossistemas da IBM, Marcela Vairo, aponta que hoje o profissional de TI não pode ser apenas um técnico. "Não adianta só ter profundo conhecimento de banco de dados. Precisa saber como arquitetá-los com outros bancos de dados, além de interpretar e associar informações, garantindo que estejam sempre atualizadas."

O coordenador de pós-graduação em TI do Mackenzie, Dirceu Matheus Junior, alerta que as empresas precisam se preparar. "O Big Data vai implicar investimento maciço nos próximos anos."

O professor estima que haverá um crescimento de até 40% no setor em 2015, que hoje já movimenta US$ 70 bilhões de dólares por ano. "Com o acesso cada vez mais fácil à informação, as empresas vão precisar da formação desses profissionais para sair na frente."

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