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Medicina e Poli ficam fora de lista dos que vão usar Enem na USP

Além deles, cursos da FEA não aceitaram usar exame do ensino médio como alternativa à Fuvest neste ano

Victor Vieira , O Estado de S. Paulo

20 Junho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Os tradicionais cursos da Faculdade de Medicina e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) ficaram de fora da lista de carreiras em que será votada a adoção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como alternativa à Fuvest. Desde o ano passado, a instituição discute o uso da prova federal para preencher parte das vagas. 

O uso do Enem para ingresso em parte dos cursos foi aprovado nesta quinta-feira, 18, no Conselho de Graduação da universidade. O órgão debateu as propostas que foram votadas internamente nas faculdades. Na terça-feira, o assunto será analisado no Conselho Universitário (CO), instância máxima da USP.

A ideia é que a mudança entre em vigor no próximo vestibular. A disputa seria pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma digital do Ministério da Educação que reúne vagas no ensino superior público. O uso do Enem seria restrito aos candidatos vindos da escola pública, na maioria dos casos. 

A adoção do exame é uma das principais estratégias da reitoria para melhorar as taxas de inclusão. A meta da USP é ter metade dos calouros vindos de escola pública até 2018. 

Segundo o documento que será votado no CO, obtido pelo Estado, a proposta é que 13,5% das 11.057 cadeiras da universidade sejam disputadas pelo exame. Inicialmente, a proposta da Pró-reitoria de Graduação era de que 14,9% das vagas seriam preenchidas com o Enem. 

Os cursos da Medicina e da Escola Politécnica, inicialmente, constavam na proposta da pró-reitoria de distribuição de cadeiras via Enem, mas não foram à frente até a votação final. A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) também não aceitou o uso do Enem.

Já a Faculdade de Direito da capital pretende reservar 92 das suas 460 vagas. A Medicina de Ribeirão Preto, segunda carreira mais concorrida do último vestibular, planeja separar 10% de suas 100 cadeiras para o exame. 

São as graduações de Humanidades que concentram a maior proporção de vagas pelo exame (15,4%). Já na área de Ciências Exatas e Tecnologias, essa taxa recua para 11,1%. Por questões logísticas, cursos que exigem provas de habilitação específica também não entraram na proposta de uso do Enem. 

Critério racial. O limite da “cota” Enem é de 30% das vagas por curso e turno, como propõe a USP. A sugestão da reitoria não prevê recorte de renda ou raça. Só quatro unidades - USP Leste, Faculdade de Saúde Pública, Instituto de Psicologia e Instituto de Relações Internacionais -preveem separar parte das cadeiras para candidatos pretos, pardos e indígenas.

A Lei de Cotas, que vale desde 2012 para as 63 universidades federais do País, prevê critérios de renda e raça para o preenchimento de vagas. De acordo com especialistas, a falta desses filtros pode atrair para a universidade só a elite da escola pública. 

“A USP ainda tem muito a avançar no sentido de adotar cotas raciais e sociais em todos os cursos, tanto no vestibular Fuvest como na nova porta de entrada que é o Enem/Sisu”, disseram, em nota, parte dos representantes dos alunos no conselho de graduação.

Para eles, a mudança encaminhada ao Conselho Universitário ainda é insuficiente. A pró-reitoria já sinalizou que deve fazer o debate sobre cotas raciais, mas apenas para os vestibulares seguintes.

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