Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Medicina da USP: alunos da pública têm mais chances

Na disputada carreira, 40 vagas pelo Sisu serão para estudantes que não vêm da rede privada

Gustavo Zucchi, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 03h00

Estudantes que vieram do ensino público olham para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com uma esperança em 2017. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) passa a reservar 50 vagas para alunos vindos do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que usa a nota do Enem para seleção.

“Achei muito positiva essa mudança. Mas claro que sabemos que a concorrência vai dobrar e a nota de corte vai ser muito alta. Não vai facilitar tanto assim”, diz Rodrigo Lemucchi Teixeira, de 19 anos. Ex-estudante de escola pública, ele faz cursinho no Etapa, justamente para tentar igualar suas chances com quem vem de colégios privados.

Com as mudanças, as vagas para Medicina na USP pela Fuvest caem de 175 para 150. Pelo Sisu, das 50 vagas, metade será destinada a quem vier de ensino público e mais 15 para pretos, pardos ou indígenas que cursaram colégios estaduais ou municipais. Apenas dez serão de ampla concorrência.

“Vejo como uma maior possibilidade. Eu tive de correr muito atrás dos alunos de ensino privado, muitas matérias eu não tive no ensino médio. Quando eles abrem vagas para cotistas, abrem oportunidades”, comemora Ana Paula Thomé da Silva, de 21 anos, do Cursinho Objetivo.

Além do curso de Medicina, Fisioterapia e Terapia Ocupacional terão três vagas cada pelo Sisu. Já para Fonoaudiologia serão cinco os alunos aceitos por meio do Enem.

“Acho que essas mudanças no Enem vão ajudar. Mas não devem ser a única solução para melhorar o ensino público”, afirma Angélica Aparecida Oliveira, de 24 anos, aluna do Objetivo. “Conheço bem o ensino público no Brasil e sei que jamais conseguiria entrar em uma universidade pública sem fazer cursinho.” Angélica terá a oportunidade de tentar realizar seu sonho de fazer Medicina na USP usando a nota do Enem.

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