Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Média da rede paulista de ensino sobe, mas ainda está longe da meta

Secretário estadual da Educação chamou alguns indicadores de 'preocupantes'; levantamento aponta que estudantes do 9º ano têm desempenho equivalente ao que é esperado do 6º ano

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2019 | 17h14

SÃO PAULO - A média dos estudantes de todas as etapas da rede estadual de ensino em São Paulo aumentou, mas ainda está longe das metas estabelecidas pelo governo do Estado. No caso dos alunos do 9° ano do ensino fundamental (jovens de 14 anos), por exemplo, o desempenho médio é equivalente ao adequado para um estudante do 6° ano (de 11 anos).

Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) foram apresentados nesta terça-feira, 12, pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, que também detalhou números do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo (Saresp). Os resultados do Saresp já haviam sido apresentados em dezembro do ano passado pela gestão Márcio França (PSB). 

Nos anos iniciais do ensino fundamental (de 6 a 10 anos), o Idesp relativo a 2018 ficou em 5,55. Na edição passada, era de 5,33. A meta para 2030 nessa etapa é 7. Nos anos finais do ensino fundamental (alunos de 11 a 14 anos), o índice ficou em 3,35, ante 3,21 na divulgação passada. A meta para 2030 é de 6.

Já no ensino médio (de 15 a 17 anos), considerada a etapa mais crítica do ensino em todo o Brasil, o Idesp de 2018 ficou em 2,46, ante 2,36 em 2017. A meta para essa etapa é de 5. 

Ex-ministro da Educação do governo Michel Temer, o secretário reconheceu problemas. De acordo com ele, o crescimento não é rápido e alguns indicadores são preocupantes. "Vemos que São Paulo tem tido um crescimento lento. Temos de acelerar a melhoria dos resultados", disse Rossieli. 

Os dados apresentados pela pasta mostram defasagens na aprendizagem dos estudantes em todos os níveis, mas especialmente no médio. "Quase metade dos jovens que estão concluindo o ensino médio estão abaixo do básico em Matemática", disse o secretário. O problema também ocorre com a Língua Portuguesa. Segundo a pasta, 45% dos alunos do ensino médio não conseguem identificar a finalidade de um texto. 

Os números também mostram que o índice de proficiência dos alunos do 9º ano do ensino fundamental em Matemática está abaixo do esperado e é equivalente ao dos estudantes do 6º ano da mesma etapa. Os resultados do Saresp apresentados no ano passado mostraram que os alunos do 9º ano pioraram em Matemática em 2018 em relação ao ano anterior. 

O progresso da rede estadual de São Paulo na área de Educação está aquém de outras regiões do País, segundo reconheceu a pasta. "São Paulo vem melhorando mais lentamente que vários Estados. Nosso desafio é ajustar a política educacional para São Paulo cumprir o papel que precisa na Federação brasileira. São Paulo precisa liderar os índices de aprendizagem", disse Haroldo Corrêa da Rocha, secretário executivo. 

Bônus

Além de avaliar o desempenho da rede, o Idesp é usado como critério para pagar bônus a professores e funcionários de escolas que alcançaram as metas fixadas para cada unidade.  Segundo o secretário, a política "precisa ser avaliada e reavaliada para saber sobre sua continuidade e de que forma continua". 

Rossieli disse que já estão sendo feitos estudos sobre a bonificação pela pasta. Uma das possibilidades é que a política de bônus inclua outros critérios. "Tem outras contingências da política de bônus que precisam ser revistas e não necessariamente estão ligadas ao Idesp", disse, sem detalhar. 

Os boletins individuais do Saresp por escola podem ser consultados no site da Secretaria. 


 

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