MEC vai estimular evasão escolar, alerta professor

A proposta do Ministério da Educação para estimular a formação profissionalizante no ensino médio pode resultar num fator de aumento da evasão escolar. A advertência é do professor Almério de Araújo, coordenador do ensino técnico do Centro Paula Souza, que administra escolas técnicas estaduais e as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) de São Paulo."O estudante pode resolver fazer Mecânica e depois desistir. Mas, se ele deixar o curso, vai estar deixando também o ensino médio", disse ele.Araújo lembrou que a proposta traz de volta a legislação dos anos 70, quando toda escola de ensino médio era obrigada a oferecer ensino técnico. A idéia no MEC é incentivar as escolas a adotar um programa que teria dois anos iniciais obrigatórios e básicos para todos e, depois, o aluno poderia optar por mais um ano, voltado ao ingresso na universidade, ou dois anos, com caráter profissionalizante.Técnico versus universidadeOutro inconveniente, que também remete às falhas da legislação dos anos 70, é o desestímulo ao ingresso na universidade. "O aluno abandonará a possibilidade de cursar ensino superior se escolher fazer os dois últimos anos profissionalizantes", aponta Araújo. Atualmente, o estudante pode cursar, concomitantemente, o ensino técnico e o médio.O secretário de Educação Profissional, Antônio Ibañez, acha que a evasão escolar diminuirá. "Quem não tem condições de ingressar na faculdade terá uma alternativa de vida", acredita Ibañez, informando que apenas 20% dos vestibulandos no País entram na faculdade.Divisão e reunificaçãoO ministro Tarso Genro quer a reunificação do ensino médio com o ensino técnico mas, na reforma administrativa do MEC, anunciada na quarta-feira, a decisão tomada foi exatamente oposta. A antiga Secretaria de Educação Média e Tecnológica está sendo desmembrada, separando os assuntos do ensino médio dos assuntos do ensino técnico.O secretário Ibañez, que ocupou a Secretaria de Educação Média e Tecnológica desde a gestão de Cristovam Buarque e agora assume a Secretaria de Educação Profissional, não vê problema no desmembramento. Ele aposta nas câmaras que serão criadas para cuidar de assuntos comuns a mais de uma secretaria.A minuta de decreto presidencial que reorganiza o MEC revoga decreto assinado por Fernando Henrique em 1997. Segundo Ibañez, os governos do Paraná e Espírito Santo estão dispostos a adotar o modelo. A mudança vem sendo discutida desde o ano passado e sua versão final será apresentada a entidades educacionais.

Agencia Estado,

25 de março de 2004 | 13h55

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