MEC reconhece erro em eliminação de candidata do Enem em São Paulo

Caso foi noticiado nesta quinta-feira pelo 'Estado'; família não descarta ainda a possibilidade de entrar com uma ação contra o governo pelo constrangimento causado

Cristiane Nascimento e Mateus Coutinho, Especial do Estadão.edu,

08 Novembro 2012 | 14h48

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reconheceu nesta quinta-feira, 8, que a estudante Jacqueline Chen, de 16 anos, foi desclassificada por engano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. A aluna fez a prova na cidade de São Paulo e foi confundida com uma candidata homônima, de Mogi das Cruzes (SP), que fotografou o exame e divulgou a imagem em redes sociais durante a realização da prova, no sábado, 3.

O caso foi revelado pelo Estado nesta quinta-feira, 8. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), Mercadante ligou nesta manhã para a mãe da aluna de São Paulo, se desculpou pelo engano e assegurou que a jovem poderá fazer a prova nos dias 4 e 5 de dezembro, quando o Enem 2012 será aplicado em unidades prisionais e socioeducativas. Depois de constatado o mal entendido, o MEC desclassificou a candidata de Mogi.

De acordo com Evaristo Araújo, advogado contratado pela família de Jacqueline, a estudante não sabe ainda se fará o exame no início de dezembro, por conta da série de vestibulares já marcados para os próximos finais de semana. Na quarta-feira, 7, quando procurada pela reportagem, Jacqueline afirmou que, mesmo diante de uma suposta nova chance, saíria prejudicada da situação. "De que adiantou eu me preparar tanto para o Enem? Mesmo que faça o exame em outro momento, estarei perdendo um tempo que poderia ser utilizado para eu estudar mais para outras provas", alegou.

Segundo Araújo, a família espera agora uma retratação oficial do MEC, via documento escrito, com maiores esclarecimentos do fato e uma justificativa para a postura dos coordenadores do exame. "A família entende que houve excesso e abuso nas condutas", afirmou o advogado, referindo-se à interrupção abruta do exame, ao documento que a garota foi obrigada a assinar para "confessar" a infração às regras e à proibição de contato com os pais até que o termo fosse firmado. A família não descarta a possibilidade de entrar com uma ação contra o ministério por conta do constrangimento causado à adolescente.

Ao todo, foram eliminados 65 alunos que postaram imagens digitais nos dois dias de realização da prova. No primeiro dia de prova, 37 candidatos foram eliminados. No segundo, mais 28 candidatos postaram imagens e também foram excluídos do Enem. Os casos foram registrados em vários Estados do País.

Eliminação injusta

No domingo, Jacqueline Chen, aluna do colégio Dante Alighieri, de São Paulo, foi abordada por um fiscal e obrigada a assinar um termo de eliminação do Enem por ter publicado imagem da prova no Instagram. Ela se recusou a assinar e disse que seu celular não tinha acesso à internet e estava guardado e lacrado no envelope entregue pelos aplicadores da prova.

Jacqueline pediu provas de que ela era a autora da publicação, mas os fiscais disseram que não a tinham e que a ordem viera de Brasília. O rapaz que retirou a candidata da sala pediu que ela assinasse um termo no qual assumia ter infringido as regras do exame. Jacqueline pediu para ligar para a sua mãe, mas foi informada de que só poderia fazer isso depois que assinasse o documento. Ela assim o fez.

Depois de ter avisado sua mãe, Jacqueline ligou para algumas amigas e pediu que vasculhassem suas redes sociais à procura de fotos do Enem. "Já estava achando que minhas contas poderiam ter sido invadidas por hackers", diz. Em meio às buscas, as amigas encontraram uma imagem do gabarito de uma prova, ao lado de uma carteira de identidade, publicada pelo perfil da homônima de Mogi.

'Ao chegar ao local da prova para buscar a filha, a mãe de Jacqueline questionou os organizadores quanto às provas da infração e disse que não poderiam ter obrigado a filha, menor de idade, a assinar um documento sem a sua presença. Ela não pôde obter uma segunda via do termo de eliminação. Uma senhora, que se apresentou como coordenadora estadual do Enem, disse que recebera ordens de Brasília e que, se fosse o caso, que recorressem para provar a inocência da menina.

A estudante, que pretende cursar Arquitetura, usaria a nota do Enem para entrar na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Eu fui prejudicada, injustiçada e culpada por algo que não fiz", diz ela.

Segundo a mãe da aluna, após o incidente a filha está com dificuldades para se concentrar nos estudos - "justo agora, em meio à maratona de vestibulares". Além do Mackenzie, Jacqueline pretende prestar Fuvest, Unicamp e Unesp nos próximos três domingos.

Na terça-feira, 6, o Estado recebeu um e-mail de Julia Chen, que seria irmã da Jacqueline de Mogi, dizendo que a candidata havia errado ao publicar a imagem da prova na internet e pedindo para que fosse apagado o nome dela da imagem publicada no site do jornal. Questionada, Julia não respondeu se sua irmã foi eliminada do Enem.

* Atualizada às 19h45

Mais conteúdo sobre:
EnemEnem 2012MEC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.