Aline Massuca/AE - 6/12/2009
Aline Massuca/AE - 6/12/2009

MEC proíbe relógio, lápis e borracha na sala de prova do Enem

Preocupação dos candidatos é com a administração do tempo; em média, estudante tem três minutos por questão

Isis Brum, Jornal da Tarde

22 Outubro 2010 | 11h43

Nada de relógios, lápis preto e borracha no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. O edital do exame proíbe o vestibulando de levar para a sala de prova qualquer um desses objetos. A medida pode comprometer a administração do tempo durante o exame, um dos principais desafios dos candidatos no Enem. Em média, o estudante tem três minutos para resolver cada questão e uma hora para elaboração a redação.

 

Responsável pelo Enem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), não explicou as razões do veto. A assessoria de imprensa do Inep informou apenas que “todas as informações referentes (às proibições) constam no edital do exame”.

 

Leia também:

- Estudantes temem falta de espaço para cálculos

 

Na visão de alunos e professores, as novas proibições podem ter relação com o sistema de segurança para que não haja vazamento da prova, o que marcou o Enem no ano passado. Há, em concursos públicos, precedente de relógios serem usados para passar cola. Em 2009, o Enem tinha restrições só quanto ao uso de relógios com calculadora, mas ainda era permitido portar os modelos simples, digitais e analógicos, com ponteiros. Os estudantes também não poderão usar grafite, lapiseira e apontador. Isso significa fazer cálculos e a redação à tinta e não poder errar na hora de marcar uma alternativa no gabarito.

 

Para o coordenador de vestibulares do cursinho Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, a medida parece uma tentativa de tornar o Enem – maior vestibular do País, com 4,6 milhões de inscritos – mais seguro. “Mas virou neura”, aponta. “Daqui a pouco, vão pedir para que os alunos usem roupa transparente para evitar o uso de algum dispositivo eletrônico (na vestimenta)”, ironiza.

 

Com as mudanças, as principais dúvidas dos candidatos se relacionam ao controle do tempo e se haverá mais espaço em branco para as contas a caneta – pois, até a mudança deste ano, os rabiscos numéricos podiam ser apagados.

 

“O aluno que fica muito preocupado com o tempo vai se sentir mais angustiado”, diz. “Agora, eu levaria uma ampulheta. Há restrições para ampulhetas?”

Consultor do Universitário Sistema Educacional, Valdemar Scofaro questiona como será feita a leitura ótica do gabarito marcado com caneta. “O grafite é lido... Precisa verificar como isso vai ser feito”, destaca. Para ele, no entanto, o Inep tem suas razões para ampliar o veto ao uso de alguns objetos para garantir a segurança do exame. “Tem muito aluno que passa o tempo tentando descobrir uma forma de burlar o vestibular ao invés de estudar.”

 

Não é o caso de João Guilherme Caldas Steinstraesser, de 17 anos, que irá fazer o Enem pela terceira vez. “Acho que vão colocar o horário na lousa a cada meia hora, como acontece em alguns simulados. Ruim vai ser passar o gabarito direto, à tinta”, reclama.

 

PARA SABER MAIS

 

- 4,6 milhões estudantes estão inscritos no Enem de 2010, que será realizado em 6 e 7 de novembro. O exame será composto por quatro provas objetivas – cada uma com 45 questões de múltipla escolha – e uma redação

 

- No primeiro dia, serão avaliados os conhecimentos de ciências humanas e de ciências da natureza: 90 questões e um tempo máximo de 4h30 de prova. No segundo, os inscritos farão provas de linguagens e códigos, matemática e redação. Serão 90 questões, uma redação e tempo máximo de 5h30

 

- No dia 6, a prova será realizada das 13h às 17h30 e, no dia 7, das 13h às 18h30. Os portões abrem às 12h e fecham às 12h55

 

REAÇÃO

 

"E se eu fizer uma conta de matemática enorme e errar? Vai faltar espaço"

JUN TANIGUCHI, 19 anos

ESTUDANTE

 

"Acho que vão colocar o horário na lousa a cada meia hora, como acontece em alguns simulados"

JOÃO GUILHERME CALDAS, 17 anos

ESTUDANTE

 

"As regras eram normais, como em qualquer vestibular. Agora, eles proíbem até lápis. Estou indignada”

FERNANDA DELOSI ROCHA, 18 ANOS

ESTUDANTE

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