MEC não pode ser balcão de negócios, diz entidade acadêmica

Associação de pesquisadores pede que novo ministro seja escolhido por critérios técnicos; Dilma ainda não definiu substituto

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 20h18

SÃO PAULO - A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) divulgou nesta quinta-feira, 19, um manifesto em que critica os rumos do Ministério da Educação (MEC). Segundo a entidade acadêmica, a pasta não pode funcionar como "balcão de negócios ou moeda de troca para assegurar a governabilidade".

Cid Gomes (Pros) deixou o cargo de ministro nessa quarta-feira, 18. Ele entregou o pedido de demissão à presidente Dilma Rousseff (PT) após bate-boca com deputados federais na Câmara. O secretário-executivo da pasta, Luiz Cláudio Costa, assumiu interinamente.

No manifesto, a Anped afirma que o começo de 2015 do ministério "evidencia um descompasso entre sua agenda política e o fortalecimento da educação pública". Também cobra que a indicação do novo titular do MEC siga critérios técnicos e não pressões políticas. 

A carta pública "De que ministra (o) a pátria educadora precisa?" foi assinada pela diretoria da entidade, que tem cerca de 3 mil associados em todo o País. Dilma ainda não definiu quem será o substituto de Gomes.

Leia o manifesto na íntegra:

Manifesto ANPEd

De que Ministra(o) a “Pátria Educadora” precisa?

A diretoria da ANPEd vem a público manifestar sua preocupação com os rumos do Ministério da Educação, que desde o início de 2015 evidencia um descompasso entre sua agenda política e o fortalecimento da educação pública, laica, gratuita, democrática e de qualidade socialmente referenciada. A saída do Ministro da Educação exige outra prática para a escolha da (do) titular da pasta. O MEC não pode ser balcão de negócios ou moeda de troca para assegurar a governabilidade. É necessária a escolha de uma (um) dirigente que atenda às especificidades da educação para a sociedade brasileira. Entendemos que a superação dos grandes desafios, para o enfrentamento das desigualdades históricas da educação, na direção da garantia de conquistas, da efetivação do direito universal à educação inclusiva, laica, democrática, para todos (as), só pode se realizar com o fortalecimento da Educação Pública. Para isto é urgente que a(o) nova (o) Ministra (o) da Educação assuma o compromisso com a consecução do Plano Nacional de Educação, cotejado com as deliberações aprovadas no documento final da CONAE 2014, assegurando que a ampliação dos investimentos, de forma a cumprir a meta de 10% do PIB, se faça na direção da justiça social.

19 de Março de 2015.

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