MEC faz avaliações contraditórias das Faculdades Bennett

Ao mesmo tempo em que reprovou e pode fechar por falta de qualidade o curso de Direito das Faculdades Integradas Bennett, no Rio, o Ministério da Educação (MEC) considerou "boas" e "muito boas" as condições de ensino da instituição, em avaliação que ajudará a definir se a Bennett será ou não promovida a centro universitário.No curso de Direito, o ministério atribuiu conceito "insuficiente" para os professores, fator decisivo para a ameaça de fechamento. Já na Avaliação Institucional, que analisou o corpo docente de toda a instituição, o conceito foi "muito bom".Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira pelo ministro Paulo Renato Souza, juntamente com o Exame Nacional de Cursos (Provão). O curso de Direito corre o risco de ser fechado porque tirou E e D nos três últimos Provões, além de classificação insuficiente para os professores na Avaliação das Condições de Ensino.A instituição quer ser transformada em centro universitário, condição administrativa que dispensa autorização do governo para criar cursos e ampliar vagas. Daí ter passado também pela Avaliação Institucional, em que seu quadro de professores foi classificado como "muito bom". Esse resultado será considerado pela Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC no processo de promoção da Bennett para centro universitário. Em outra etapa, passará pelo crivo do Conselho Nacional de Educação e do próprio ministro.Por meio de sua assessoria, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais disse que não há contradição entre as duas avaliações de professores, pois uma é específica do curso de Direito, e a outra abrange toda a instituição.A Sesu informou que nenhuma faculdade com classificação "insuficiente" na Avaliação das Condições de Ensino pode ser transformada em centro universitário, o que inviabilizaria a promoção.O diretor do curso de Direito da Bennett, Henry Grazinoli, disse não temer o fechamento, até porque isso só ocorreria após nova avaliação, daqui a um ano. Grazinoli afirmou estranhar a divulgação da Avaliação das Condições de Ensino antes do prazo de recurso que, segundo ele, terminaria nesta sexta-feira.Ele culpou os alunos pelo mau desempenho: "Não conseguimos mostrar a eles a importância do Provão e muitos fazem a prova de qualquer jeito", disse. "Além disso, na avaliação pedagógica e institucional, técnicos fazem uma análise fria, rápida, levando em conta principalmente documentos."

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2002 | 20h16

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.