MEC empilha em armazéns 11 milhões de livros novos

Onze milhões de livros de literatura, poesia e não-ficção comprados pelo Ministério da Educação para escolas públicas, professores e prefeituras estão estocados em armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em Brasília, à espera de distribuição.Ao custo de R$ 64 milhões, o governo assinou os contratos com mais de 20 editoras em dezembro, na gestão do ex-ministro Cristovam Buarque (PT-DF), e promete distribuir todo o estoque em junho e julho. O pregão de escolha da empresa que empacotará as obras para envio pelo correio será realizado sexta-feira.Os livros começaram a chegar a Brasília em fevereiro e logo lotaram o galpão do FNDE. Foi preciso então firmar convênio com o TSE, que cedeu gratuitamente uma área usada para guardar urnas eletrônicas, e alugar um armazém da Conab.O FNDE está pagando R$ 11.517,00 por quinzena para manter cerca de 2 milhões de volumes na Conab. É lá, tendo como vizinhos estoques de soja e milho, que estão empilhadas obras consagradas da literatura e da poesia brasileira, como Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, e Antologia Poética, de Vinicius de Moraes.Livros como nuncaO Programa Nacional Biblioteca da Escola foi criado em 1994, mas nunca tantos livros foram comprados como em 2003, na gestão Cristovam. No primeiro semestre, o MEC adquiriu 37 milhões de exemplares para doar a todos os estudantes de 4.ª e 8.ª séries e de turmas de educação de jovens e adultos, nas escolas públicas do País.O investimento foi de R$ 36 milhões e as obras chegaram ao destino entre os meses de setembro e dezembro. Mesmo sem previsão orçamentária, Cristovam obteve recursos no segundo semestre para ampliar o programa de compra de livros e lançou três novas ações: a Biblioteca Escolar, com 144 títulos de ficção e não-ficção destinados a 20 mil escolas de 5.ª a 8.ª séries; a Biblioteca do Professor, que dará dois títulos a cada professor de 1.ª a 4.ª séries e das classes de alfabetização da rede pública; e o Casa da Leitura, que doará coleções de 144 livros a mais de 3 mil prefeituras.SuspensãoOs 11 milhões de exemplares estocados em Brasília pertencem a esses três novos programas. Com tantos livros para distribuir, a equipe do ministro Tarso Genro, que sucedeu Cristovam em janeiro, decidiu suspender neste ano a compra de novos livros do Programa Nacional Biblioteca da Escola, nas modalidades Literatura em Minha Casa e Palavra da Gente, que consistem na doação de obras literárias e paradidáticas a alunos de 4.ª e 8.ª séries e educação de jovens e adultos."Não há previsão de compra este ano. Vamos distribuir agora e comprar no ano que vem", diz o presidente do FNDE, José Henrique Paim. Ele nega qualquer intenção de desativar o programa, concebido para complementar a distribuição do livro didático.De acordo com o diretor de Ações Educacionais do FNDE, Daniel Balaban, não faria sentido comprar novos livros antes de distribuir os já adquiridos. Balaban defende a avaliação do programa para verificar o uso que os estudantes estão fazendo do material. "Queremos gastar bem o dinheiro."O coordenador-geral de Produção e Distribuição do Livro do FNDE, Alexandre Serwy, justifica que a estocagem dos 11 milhões de livros em Brasília é necessária porque as coleções dos três novos programas misturam títulos de diferentes editoras. Todos os exemplares foram produzidos em São Paulo.Segundo ele, o programa está dentro do cronograma previsto desde a assinatura dos contratos.

Agencia Estado,

12 de maio de 2004 | 08h43

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