MEC deixa de recomendar livros didáticos

O Ministério da Educação está abandonando o sistema de classificação das obras. Até então, o governo fazia recomendações sobre a qualidade dos títulos a serem escolhidos pelos professores de cada escola do País. Agora, os professores farão suas escolhas apenas com a ajuda de uma descrição - sem julgamento - de cada livro, feita pelo MEC.O critério de classificação anterior ia de uma a três estrelas. No ano passado, o governo passou a usar os conceitos "pouco recomendado", "recomendado" e "muito recomendado".Por incrível que pareça, o fim das recomendações do governo se deu porque os professores vinham optando principalmente por livros de um estrela ou os pouco recomendados. Ou seja, os piores entre os pré-avaliados pelo ministério. "Mais fáceis"Por quê? "Não há nenhum estudo que mostre porque isso acontecia, mas eu suponho que seja porque eles preferissem livros com conteúdos mais fáceis", diz o presidente do Fundo Nacional Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Henrique Paim Fernandes. Assim, diz ele, os professores não correriam o risco de não entender ou não saber como lidar com livros supostamente mais sofisticados.O presidente do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro, lamenta a mudança. "A escolha é do professor, mas ele precisa de uma crítica para auxiliá-lo na análise", diz. Segundo ele, os professores muitas vezes "não têm tempo" para ler descrições das obras e uma avaliação do MEC facilita.Livros conhecidosRamiro nega que os educadores preferissem os livros piores avaliados por serem os mais fáceis. "Às vezes eles escolhem os livros que já conhecem ou que imaginam ser mais próximos de sua realidade."Mesmo assim, diz que a suposta "ignorância" dos professores seria de responsabilidade do próprio ministério e das secretarias de Educação, que não oferecem cursos de aperfeiçoamento.O programa governamental de distribuição de livros didáticos começou em 1985 e, desde então, as obras sempre foram classificadas. Pelo novo sistema, até 25 de junho os professores podem escolher as obras que desejam usar com os alunos de 5.ª a 8.ª séries no ano que vem.

Agencia Estado,

11 de maio de 2004 | 11h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.