MEC classifica nível de 27 cursos de Medicina como insuficiente

MEC classifica nível de 27 cursos de Medicina como insuficiente

A planilha divulgada mostra 154 cursos de Medicina de todo o Brasil e a nota está relacionada à nota dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2013

Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 15h58

Dados do Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador de qualidade dos cursos de ensino superior utilizado pelo Ministério da Educação (MEC), mostraram que 27 cursos de Medicina do País têm desempenho considerado "insuficiente". os dados foram  divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, no Diário Oficial da União. 

O CPC atribui notas aos cursos de 1 a 5 - valores abaixo de 3 são considerados insuficientes. A planilha divulgada mostra 154 cursos de Medicina de todo o Brasil e a nota está relacionada à nota dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de 2013. Nenhuma instituição de ensino conseguiu obter a nota 5 e três cursos não tiveram os conceitos divulgados, por serem recentes e não terem completado o ciclo de três anos da avaliação - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Faculdade Ingá.

Dois cursos estão no estado de São Paulo, das universidades Camilo Castelo Branco, em Fernandópolis, e a Metropolitana de Santos. Também constam na lista de baixo desempenho cinco instituições federais: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). 

A UFSJ, em nota, afirmou que a reitoria avalia que o número “não expressa a realidade do curso” e questionou os parâmetros de avaliação. A vice-diretora do curso de medicina da UFRGS, Lúcia Maria Kliemann, disse que a nota era “esperado” por causa do boicote dos estudantes ao Enade. O vice-reitor da UFCG, Vicemário Simões, ressaltou que o curso é novo e não tem hospital universitário. Para Júlio Balzano, da UfPel, o CPC “deve ser visto como um indicador e não como um determinador da qualidade”.
Cézar Esteves, da Universidade Presidente Antônio Carlos, de Juiz de Fora (MG), disse que a instituição não recebeu a visita do MEC nos últimos três anos - em 2010, a instituição também ficou com nota abaixo de 3. “Por que o MEC não veio apontar as deficiências? Podemos ter o curso fechado sem que tenha havido uma visita.” O Estado tentou contato com as outras universidades, mas não obteve resposta.

Neste ano, o MEC avaliou os seguintes cursos de graduação: Medicina Veterinária, Odontologia, Medicina, Agronomia, Farmácia, Enfermagem, Fonoaudiologia, Nutrição, Fisioterapia, Serviço Social, Zootecnia, Biomedicina, Tecnologia em Radiologia, Tecnologia em Agronegócios, Tecnologia em Gestão Hospitalar, Tecnologia em Gestão Ambiental e Educação Física (bacharelado).

O CPC é divulgado anualmente para os cursos que tiveram ao menos dois alunos concluintes participantes e dois estudantes ingressantes registrados no Enade. Quando não atendem estes critérios, o CPC da instituição não é calculado para aquele curso. Para a nota, avalia-se o desempenho dos estudantes, corpo docente, infraestrutura e recursos didático-pedagógicos.

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