MEC cede e aumenta formas de adesão ao 'novo Enem'

Universidades federais poderão usar a nota do vestibular unificado praticamente da forma que quiserem

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

17 de abril de 2009 | 18h07

O Ministério da Educação cedeu e abriu o leque das formas de adesão ao novo vestibular unificado. Agora, as universidades federais poderão usar a nota do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) praticamente da forma que quiserem, o que diminuirá a extensão da unificação e o impacto do programa. Na prática, o super Enem foi desidratado. No entanto, poderá aumentar o número de instituições participantes já este ano.

 

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São três novas formas de uso do novo Enem além da já apresentada pelo MEC, todas elas propostas pelos reitores. Na ideia original, as instituições aderem ao Enem como etapa única do vestibular e, ao mesmo tempo, ao Sistema de Seleção Unificado (SSU). Com isso, o estudante faz apenas uma prova e, com a nota em mãos, escolhe cinco cursos e cinco instituições diferentes para se candidatar.

 

As novas alternativas propõe que o uso do Enem seja apenas parcial. Na primeira delas, a universidade usa a prova como uma primeira etapa e depois faz uma segunda etapa local, com um vestibular realizado por eles mesmos. A segunda proposta é, hoje, a mais comum nas cerca de 13 Federais que já usam o Enem: a nota da prova nacional é somada a de um vestibular tradicional como pontos extras ao candidato.

 

A terceira alternativa é a mais distante da proposta do MEC. Algumas instituições querem usar o Enem apenas para selecionar alunos para as vagas que sobram do seu vestibular tradicional. Esse é o esquema usado hoje pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. No entanto, essa é uma das instituições que deve usar o Enem como prova única no novo modelo.

 

As universidades também poderão usar um tipo de seleção para alguns cursos e outra, para os demais.

 

"Há duas maneiras de conseguir essa unificação. Uma delas é impositiva, por ato do Congresso Nacional. Eu não acho que essa seja o melhor caminho", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Aquelas instituições que entenderem que podem dar um passo mais ousado em virtude da sua confiabilidade, da sua maturidade, darão. As que não se sentem seguras poderão usar outra forma. Qualquer participação é melhor que nenhuma".

 

As alternativas apresentadas pelos reitores tiram da ideia do MEC um de seus principais benefícios: a possibilidade de um estudante, com uma mesma prova, candidatar-se a cinco instituições diferentes, a cursos diferentes, em Estados diferentes sem precisar pagar por vários vestibulares ou viajar pelo País. Mesmo no caso em que as universidades decidirem por usar o Enem como primeira etapa, o estudante aprovado terá que viajar para fazer uma segunda prova.

 

As demais alternativas mantém o vestibular tradicional, justamente o que o ministério gostaria de eliminar por considerar ultrapassado. E, no caso das que pensam em usar a prova como parte da nota, os candidatos serão obrigados a fazer duas provas complexas, extensas e de perfis diferentes para concorrer a apenas uma vaga. "Uma decisão tomada hoje pode mudar amanhã", espera o ministro. "O que queremos é adesão do maior número possível de instituições".

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