Fabio Motta/AE-23/10/2011
Fabio Motta/AE-23/10/2011

MEC cancela Enem marcado para abril

Empresa de risco afirma que ministério não tem condições de fazer duas edições por ano; prova será nos dias 3 e 4 de novembro

Lisandra Paraguassu, de O Estado de S. Paulo,

20 Janeiro 2012 | 20h30

BRASÍLIA - O Ministério da Educação desistiu de fazer duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano. A prova planejada para 28 e 29 de abril foi cancelada. Relatório de empresa de análise de risco concluiu que não há estrutura para duas edições da prova em um ano. A edição única do Enem de 2012 será nos dias 3 e 4 de novembro.

 

A intenção era que os estudantes fizessem duas provas por ano e escolhessem a melhor nota para se candidatarem às bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Mas até hoje o MEC não conseguiu pôr o plano em prática.

 

Há um mês, foi contratada uma empresa, a Módulo, especializada em analisar riscos de operações, para verificar os processos que envolvem o Enem. “Depois que ela conheceu todo o processo, quisemos saber se duas edições por ano estressariam a máquina montada para o evento”, explicou Haddad ao Estado. A conclusão é de que o sistema não vai funcionar com duas edições por ano - ao menos na atual estrutura.

 

Haddad havia dado indícios de que, apesar da promessa e da data marcada, o exame seria cancelado. Ontem, afirmou que a decisão da Justiça do Ceará, que obrigava o ministério a dar acesso a todos os 4 milhões de estudantes às suas provas de redação, só pioraria a situação.

 

Problemas

 

Desde sua ampliação, em 2009, o exame enfrentou diversos problemas. No primeiro ano, um funcionário temporário da gráfica onde estava sendo impressa a prova conseguiu sair com uma cópia e tentou vendê-la ao Estado, que denunciou o caso ao ministério. A prova teve de ser cancelada e aplicada em dezembro.

 

Em 2010, problemas de impressão fizeram com que um dos cadernos tivesse questões duplicadas. Outro problema foi uma falha na ordem das questões nos cadernos de provas e cartões de respostas.

 

Em 2011, um professor e um funcionário do Colégio Christus, de Fortaleza, distribuíram questões usadas em um pré-teste do Enem. Os dois foram indiciados pela Polícia Federal e a prova teve de ser cancelada para 1.139 alunos do colégio. Depois disso, as disparidades nas notas de redação dos candidatos depois dos pedidos de revisão das notas trouxeram mais dúvidas sobre o exame.

 

Haddad defende o Enem. “São processos complexos. Temos de compreender isso e aperfeiçoar. E isso tem sido feito”, disse. “Não há no mundo um exame nacional do ensino médio que não passe pelos problemas que enfrentamos aqui, como as tentativas de fraude.”

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