MEC alerta sobre a forma correta de ensinar pela internet

Cursos a distância via internet não podem repetir o modelo da escola tradicional. O alerta foi feito nesta quarta-feira pela pesquisadora Lea Fagundes, da UFRS, durante o seminário "Plataforma para a Educação a Distância Via Internet", promovido pelo MEC. "Se as instituições pensam que podem fazer material institucional e pôr tudo na máquina para o aluno receber, o desenvolvimento da inteligência está perdido." Hoje, 60 mil estudantes brasileiros cursam graduação a distância. A coordenadora científica do Laboratório de Estudos Cognitivos do Instituto de Psicologia da UFRS prevê o crescimento do número de pessoas dependentes da máquina, caso as universidades e escolas apenas reproduziram no computador o conteúdo apresentado em sala de aula. Lea lembra que, até recentemente, o ensino a distância consistia em mandar o material pelo correio e a "pessoa tinha de se virar", tornando mais difícil o aprendizado a distancia do que em sala de aula. "Era 50% de reprovação." O seminário de dois dias em Brasília reuniu discussões sobre experiências e pesquisas das universidades no ensino a distância. Lea explica que a busca é por um modelo que enriqueça o ambiente de aprendizagem e estimule a participação das pessoas. O aluno tem um tem atendimento individual, mas não está sozinho. A qualquer momento pode interagir com outras pessoas, ver o que outro está pensando ou como resolveu determinada questão. Professores e marinheirosO diretor do Departamento de Informática da Secretaria de Educação a Distância do MEC, Américo Bernardes, diz que não se pode afirmar que um curso à distância é "classe B", porque o nível de formação é o mesmo do que o de um curso tradicional. Ele informa que existem 60 mil alunos em graduação a distância, maior parte de professores do ensino fundamental da rede pública que precisam cursar licenciatura para atender exigências da legislação.Bernardes observa que se os professores abandonassem a sala de aula para cursar licenciatura o sistema educacional entraria em colapso.Sala virtual do governoO MEC cede a sua plataforma eletrônica, uma espécie de sala de aula virtual, para instituições oferecerem cursos via internet. Segundo Bernardes, o serviço proporciona economia significativa de recursos públicos, pois evita que as instituições gastem com aluguel de outros ambientes eletrônicos. O MEC nada cobra das 30 universidades e órgãos públicos com as quais mantém convênio. Graças ao sistema, marinheiros em alto-mar estão podendo fazer cursos de aperfeiçoamento profissional.A pesquisadora Lea Fagundes diz que o ensino a distância garante formação continuada por toda a vida. Mesmo que a graduação ocorra por meio de ensino presencial, a pessoa pode continuar sua formação em serviço num ambiente em que pode fazer consultas e interagir com outras pessoas."Não dá mais para parar, você precisa estar sempre se atualizando porque o conhecimento é produzido aos borbotões", ensina a pesquisadora.

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