MEC adia prazo para Uniban dar explicações sobre oferta de curso integrado

Apesar da ampliação do prazo, que terminava hoje, cursos continuam suspensos

Luiz Guilherme Gerbelli, Jornal da Tarde

30 Abril 2010 | 10h09

A Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC) recuou nesta quinta-feira, 29, do ultimato que havia dado à Universidade Bandeirante (Uniban) para que se adequasse às exigências do MEC sobre o oferecimento de cursos integrados, com a emissão de certificado antes mesmo de o aluno concluir a graduação. A data limite para as explicações sobre essa modalidade de ensino expirava nesta sexta, 30, e agora está em aberto.

 

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, após a universidade apresentar um recurso sobre um despacho de março do MEC, publicado depois de uma reportagem do Jornal da Tarde sobre o assunto. À época, o ministério informou que encontrou irregularidade nos cursos integrados, como “desvirtuamento das normas da educação superior”.

 

Os cursos integrados oferecem ao mesmo tempo aulas sequenciais (com formação específica) de graduação e pós-graduação. Procurada, a Uniban considerou justa a decisão da Sesu e que “aquilo que a universidade propôs (inicialmente) tem validade”.

 

Apesar da ampliação do prazo, os cursos integrados da Uniban continuam suspensos. Um novo parecer da Sesu sobre o caso só será emitido depois de que todas as unidades receberem uma comissão de avaliação do MEC.

 

No recurso, a Uniban alegou que “a oferta de cursos de graduação e pós-graduação de forma integrada está de acordo com a legislação vigente”. A universidade também garantiu que “não há descumprimento de cargas horárias mínimas exigidas para cada um dos níveis de formação superior oferecidos pela instituição”.

 

Críticas

 

A oferta de cursos integrados desagrada especialistas de mercado. Eles acreditam que esse tipo de modalidade de ensino pode favorecer uma má formação teórica e prática do universitário.

 

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), Cláudio Porto, os curso integrados são resultado de uma excessiva liberdade das universidades, o que prejudica todo o ensino. “É um absurdo essa autonomia para a universidade. Esse é o problema. Todas as áreas estão sendo bastante rebaixadas em qualidade”, afirma Porto.

 

O Coren diz que não credencia alunos que não tenham concluído a graduação. “Se flagramos alguém desenvolvendo ilicitamente qualquer tipo de atividade, abrimos processo criminal”, afirmou.

 

O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, é favorável a uma permanente avaliação do MEC. “A educação é prioridade e tem que ser acompanhada, inclusive o ensino superior.”

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