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MBA com divã

Escolas recorrem ao coaching, oferecendo consultoria que ajuda alunos a lidarem com dilemas profissionais que aparecem durante o curso

Felipe Mortara, Estadão.edu

30 Maio 2011 | 23h11

O MBA é, na essência, um momento de volta à sala de aula depois de alguns – ou muitos – anos no mercado. Ao ser exposto a novas ideias e experiências, o profissional pode ter dúvidas: estou na carreira certa? Deve aceitar aquela proposta de emprego ou a contraproposta de promoção? Ou, quem sabe, empreender um novo caminho?

 

É aí que entram em cena os coaches, consultores que ajudam o profissional a direcionar os próximos passos de sua trajetória enquanto cursa o MBA.

 

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Não há fórmulas mágicas. O professor e consultor Renato Ferreira, há 16 anos na Fundação Getulio Vargas, explica que o profissional é que deve chegar à decisão final, depois de muita conversa. "O coach ajuda a pessoa a enfrentar seus dilemas. Não soluciona problema, mas a fortalece para tomar uma boa decisão", afirma.

 

É natural que programas de MBA despertem questionamentos. "A pessoa se pergunta se quer continuar usando a inteligência a favor daquela organização. Ela pensa em jogar tudo para o alto", afirma Sandra Moura, coach e consultora de carreiras, integrante do Procar, programa de orientação de carreiras para alunos da FIA e FEA-USP. "Muitas vezes não adianta mudar de empresa, mas sim de atitude."

 

No fim de 2008, a relações-públicas Fabíola Nese, de 29 anos, estava fazendo coaching enquanto cursava o MBA de Gestão Empresarial na FIA. A operadora logística em que trabalhava contratou uma auditoria para cortar gastos. Apesar de ter sido dispensada, Fabíola foi elogiada pela auditora. "Ela disse: 'Não sei o que você está fazendo de diferente, mas está sendo difícil tomar essa decisão. Você mudou muito sua postura ultimamente'", diz Fabíola, que depois conseguiu emprego em sua área de formação.

 

A relações-públicas Fabíola Nese, que usou o serviço de coaching da FIA

 

Assim como Fabíola, muitos procuram os coaches com esperanças de sair do encontro com respostas. "Para cada pessoa, o trabalho é diferente. É através da conversa, do conhecimento e da interpretação que poderemos ver as necessidades de quem nos procura", conta Simone Linzmeyer, mestre em Desenvolvimento de Carreiras pela PUC que ajudou Fabíola no processo de tomada de decisões.

 

Autoconhecimento. Nem sempre é evidente perceber o que falta para alcançar os objetivos no mercado de trabalho. "Vemos muitas decisões erradas porque as pessoas não pensam nelas mesmas. Levam demais em consideração o que o mercado e o colega estão fazendo. Sem autoconhecimento não tem planejamento de carreira", explica a professora Tania Casado, coordenadora do Curso de Formação de Aconselhadores de Carreira da FIA.

 

Em 2006, durante seu MBA Executivo em Finanças no Insper, a administradora Arlete de Araújo Silva, de 44, tirou proveito do serviço de coaching da instituição. "Foi decisivo para eu arriscar uma movimentação horizontal na empresa, o que mudou minha carreira", diz.

 

O trabalho de coaching foi tão importante para Arlete que ela usou o serviço, gratuito e vitalício para ex-alunos, mais duas vezes. "Acabei saindo da empresa em 2007. Pensei que era momento de buscar novamente auxílio da área de planejamento de carreiras do Insper. Fui atendida como se estivesse no curso", conta a administradora.

 

Pensando nos jovens com um a três anos de formados, a FGV decidiu investir no coaching durante o MBA, num projeto idealizado pelo professor Renato Ferreira. A primeira turma do Master in Business Management será acompanhada por um coach durante todo o curso. "É uma experiência fortalecedora, os alunos se sentem mais preparados para o diálogo com as empresas."

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