Matemática pura: calcule usando TRI

O '181º teste do Enem talvez seja o mais difícil de todos: entender a forma de cálculo da nota

Elida Oliveira, Especial para o Estadão.edu

24 Novembro 2009 | 02h10

Nos dias 5 e 6 de dezembro, 4,1 milhões de estudantes vão prestar o novo Enem. Vamos supor que entre eles estarão Joana e Maria, ambas de 17 anos. Joana acerta 100 das 180 questões do exame e ganha a pontuação x. Maria também acerta 100 questões, mas sua pontuação é x menos 1. Joana vai entrar na universidade. Maria, não. Pode parecer estranho, mas haverá milhares de casos assim.   A explicação para isso está na Teoria da Resposta ao Item, a TRI, conjunto de modelos matemáticos na qual o Enem se baseia. Com a TRI, a nota de cada aluno será diferente, mesmo com um número de acertos idêntico.   "Teremos uma quantidade enorme de combinações possíveis para 100 acertos em 180 questões. Cada aluno terá um traço latente diferente", diz Dalton Francisco Andrade, doutor em Bioestatística pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.   Traço latente?   Andrade explica: o traço representa o nível de conhecimento do aluno, a chamada proficiência adquirida. Tudo muito complicado, mas o tal traço fará diferença para Joana e Maria. O desempenho delas foi diferente porque Maria acertou questões incompatíveis com seu perfil de habilidades – na base do chute.   "Há um mito de que questões difíceis valem mais. Mas tudo depende da questão e do traço latente do aluno", diz Mário Baldochi, diretor do cursinho COC Ribeirão Preto. "Fácil" e "difícil", nesse caso, não são conceitos teóricos: todas as questões do Enem já foram testadas com grupos de alunos para se determinar seu grau de dificuldade.   Por isso, se o candidato acertar questões fáceis e difíceis no Enem, palmas para ele. Mas quem acertar só fáceis terá vantagem sobre quem acertar só difíceis. Faz sentido: como alguém domina temas complicados se erra os simples?   Na prática, os candidatos devem ter muita atenção em cada teste. Errar questões fáceis terá peso maior que numa prova convencional. "Quanto maior o número total de acertos, maior a nota em cada questão", diz Tadeu Terra, diretor corporativo da Editora COC. Ou seja, pura matemática.   Enem em foco Professores que coordenaram simulados dão dicas sobre como administrar o tempo e a melhor estratégia para fazer o exame   OLHO NO RELÓGIO Prova 1 - 4h30 90 questões - 2,3 minutos/cada A cada hora de prova, o aluno precisa manter o ritmo e resolver 22 ou 23 questões. Não deve esquecer o tempo de passar as respostas para o gabarito   Prova 2 - 5h30 Redação - 1 hora A recomendação é dar uma lida na redação, esboçar o texto e partir para questões objetivas. Só depois disso o candidato deve passar a redação a limpo e as questões para o gabarito

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