Hélvio Romero
Hélvio Romero

Matemática é desafio do 2º dia de Enem

Serão cinco horas para responder questões de Matemática e de Ciências da Natureza, que incluem Biologia, Física e Química

Leonardo Zvarick, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2018 | 02h00

SÃO PAULO - Mais de quatro milhões de estudantes de todo o Brasil participam neste domingo, 11, do segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Neste ano, os candidatos terão 30 minutos a mais para fazer a segunda prova. Ao todo, serão cinco horas para responder às questões de Matemática e de Ciências da Natureza, que incluem Biologia, Física e Química. Os portões abrem ao meio dia e serão fechados às 13h. A prova começa às 13h30 e termina às 18h30. 

No primeiro fim de semana, foram aplicadas as provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. Já no segundo dia, é a Matemática que deve ser tratada como prioridade por aqueles que tentam vaga em cursos muito concorridos. "É uma disciplina que apresenta um padrão diferente das demais. É uma prova com um grande número de notas abaixo da média, e ao mesmo tempo a que tem as maiores notas individuais", explica Fernando da Espiritu Santo, coordenador do Sistema de Ensino Poliedro.

Isso se deve ao método de avaliação do Enem, a Teoria de Resposta ao Item (TRI). No exame, as perguntas são divididas entre fáceis, médias e difíceis, sem que haja identificação na prova. Por meio de estatísticas, o sistema analisa o padrão de respostas de cada aluno e determina um peso específico para cada questão, com base em seus acertos e erros.

De maneira prática, se o concorrente acerta muitas questões difíceis mas erra muitas fáceis, as questões corretas têm peso reduzido. Ao mesmo tempo, isso faz com que certas questões impulsionem as médias até mesmo para além de mil pontos, teoricamente a nota máxima da prova.

O objetivo da TRI é evitar que candidatos pontuem com chutes. Para Santo, é justamente isso que torna a matemática tão importante para se sobressair. “Essa prova consegue segmentar bem os alunos que dominam o conteúdo dos que não. Isso minimiza as chances de chute”.

A estudante paulista Milena Gonçalves vive isso na prática. "Uma das coisas que sei por experiência própria é que a Matemática exige uma base muito sólida. Não é como as questões de Humanas, que você consegue interpretar e colocar sentido mesmo sem saber exatamente a resposta".

Grande parte dos professores de cursinho, sobretudo nas turmas voltadas a carreiras mais disputadas, como Medicina, recomenda que os alunos tenham visão estratégica sobre a prova. “Sempre incentivamos que os alunos participarem dos simulados. Isso permite desenvolver a habilidade de identificar quais questões podem ser resolvidas com menos esforço”, diz Santu. “A gente explica que em função da TRI, o que diminui muito a nota é quando ele erra uma questão muito fácil e acerta as difíceis. O sistema considera isso incoerente pedagogicamente e avalia que o candidato está chutando”.

A carioca Carolina Meucci tenta pela quarta vez uma vaga em Medicina pelo Enem. Inicialmente, ao sair do colégio, ela não tinha uma relação tão íntima com a Matemática. "Tinha bastante dificuldade há alguns anos, principalmente porque achava que não era uma matéria específica pra área de Medicina", conta. A estudante diz que, depois de receber orientações no cursinho e se informar a respeito da TRI, entendeu que uma boa nota em Matemática poderia ser o diferencial que precisava para conseguir a posição desejada. "Os professores, além de nos direcionarem a um estudo mais focado, ensinam a identificar quais são as questões fáceis  e médias no exame, para que a gente não perca tanto tempo com as mais difíceis, que acabam tendo um peso menor".

Estratégia não é importante somente para quem não se sente à vontade com números. Diferentemente de Carolina, a paulista Juliana Farias sempre teve facilidade em matérias de Exatas. A falta de experiência, entretanto, acabou prejudicando nas primeiras tentativas. "Quando fiz o Enem pela primeira vez, por não ter tanta maturidade e não conhecer o funcionamento da prova, acabei não indo tão bem", conta ela, que no ano passado conseguiu subir sua nota em quase 200 pontos em relação à primeira vez que prestou o exame.

Juliana tenta entrar em Medicina pelo terceiro ano consecutivo e relata que uma de suas maiores dificuldades nos anos anteriores foi o tempo. "Da última vez, tive de chutar umas 10 questões. Por causa da TRI, você corre muito risco de perder nota fazendo isso", diz a estudante. Ela acredita que com os 30 minutos adicionais no segundo dia de prova, muita gente deve conseguir um bom resultado. "Acho que quem gosta de matemática costuma se dar bem na prova. Quem não gosta, muitas vezes consegue remediar com essas técnicas e, claro, treino".

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