Marinheiro não é reconhecido por vítimas de estupro na USP

Um cabo da Marinha, apontado como o suspeito de pelo menos um dos casos de estupro ocorridos na região da Cidade Universitária, em São Paulo, não foi reconhecido por nenhuma das vítimas. O rapaz de 33 anos, identificado apenas como Jorge, que seria funcionário do Centro de Tecnologia da Marinha, instalado no campus da Universidade de São Paulo (USP), passou a ser investigado depois que uma mochila com seus documentos foi encontrada na Favela São Remo, momentos depois de a faxineira M.P.S., de 48 anos, mãe de 13 filhos, ter sido vítima de uma tentativa de estupro.Na tarde desta terça-feira, o marinheiro foi colocado entre outros quatro militares no setor de reconhecimento da 3ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Através de um vidro especial, que não permitia visualizá-las, as seis mulheres, quatro delas alunas da USP, observaram os cinco homens, mas não identificaram o agressor entre eles.Mesmo assim, o militar não está livre das suspeitas. Segundo a Delegada da DDM, Maria Cristina Mazzarello, ele será chamado a depor e passará por nova tentativa de reconhecimento, já que o encontro dos documento no local do crime é um indício muito forte. "Mas não podemos indiciá-lo apenas com base nisso, precisamos de provas. Alguns motoqueiros viram o ataque na favela e talvez tenham condições de identificá-lo", disse. "A vítima estava muito nervosa e admitiu não ter condições de reconhecê-lo."Segundo M.P.S., o maníaco a dominou pelas costas, batendo fortemente em sua cabeça, mas não conseguiu consumar o ato. "Ele me ameçava de morte, mas eu reagi e comecei a gritar", conta. "Uns motoqueiros vieram me ajudar. O estuprador vestiu a roupa e fugiu, deixando a mochila para trás. Dentro havia perfumes, talco, remédios, roupas e documentos."A delegada Maria Cristina admite a possibilidade de haver mais de uma pessoa envolvida nos ataques, mas afirma que o modo de agir e a semelhança física tornam mais forte a hipótese de um único agressor. Outros dois casos, envolvendo estupradores em São Caetano do Sul e Guarulhos, continuam sem esclarecimento.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2002 | 17h26

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